Superávit em conta corrente sobe inesperadamente na zona do euro

Analistas previam queda para 6,0 bilhões de euros, mas superávit em conta corrente cresceu para 12,7 bilhões de euros em junho

Danielle Chaves, da Agência Estado,

17 de agosto de 2012 | 08h39

LONDRES - O superávit em conta corrente da zona do euro cresceu para 12,7 bilhões de euros (US$ 15,63 bilhões) em junho, de 10,3 bilhões de euros em maio, contrariando a previsão dos analistas consultados pela Dow Jones de queda para 6,0 bilhões de euros, segundo dados do Banco Central Europeu (BCE). O resultado de maio foi levemente revisado dos 10,9 bilhões de euros calculados inicialmente.

Os dados são ajustados por efeitos sazonais e levam em conta o número de dias úteis de cada mês. Um déficit nas transferências correntes foi mais do que contrabalançado por superávits no comércio de bens, serviços e na renda, informou o BCE.

Segundo o banco central, a zona do euro teve superávit comercial de 12,8 bilhões de euros em junho, acima de 8,2 bilhões de euros em maio. O superávit no comércio de serviços caiu para 5,2 bilhões de euros em junho, de 6,2 bilhões de euros em maio. O superávit em renda diminuiu para 3,5 bilhões de euros, de 5,1 bilhões de euros. O déficit em transferências correntes recuou para 8,8 bilhões de euros, de 9,2 bilhões de euros.

Na conta financeira não ajustada sazonalmente, o investimento direto e em carteira combinado mostrou fluxo de entrada líquida de 29,0 bilhões de euros em junho, em comparação com o fluxo de entrada líquida de 36,6 bilhões de euros em maio. Dentro da conta financeira, a zona do euro teve uma forte saída líquida de capital na forma de investimento direto em junho, uma mudança brusca em relação a maio, quando houve fluxo positivo.

Já o investimento em carteira aumentou em termos líquidos à medida que investidores não residentes compraram 23,0 bilhões de euros em ações da zona do euro a mais do que venderam e investidores residentes venderam 12,0 bilhões de euros em ações estrangeiras a mais do que compraram.

Com relação a instrumentos de dívida, a quantidade de bônus e instrumentos de mercado monetário detidos caiu para 30,8 bilhões de euros líquidos, de 36,7 bilhões de euros em maio. Os investidores estrangeiros compraram 31,0 bilhões de euros em bônus e notes a mais do que venderam, mas venderam 5,4 bilhões de euros em instrumentos de mercado monetário a mais do que compraram.

Superávit comercial recorde

Um aumento nas exportações em junho impulsionou o superávit comercial da zona do euro para 14,9 bilhões de euros (US$ 18,4 bilhões), segundo dados da agência de estatísticas do bloco, a Eurostat. Esse foi o nível mais alto desde pelo menos 1999, quando os números começaram a ser acompanhados.

O superávit de junho foi maior do que o de 7,1 bilhões de euros registrado em maio, em dados revisados, e o de 200 milhões de euros de junho do ano passado, afirmou a Eurostat.

As exportações cresceram 12% em junho, em comparação com o mesmo mês de 2011, superando de longe o aumento de 2% nas importações. A força das exportações, puxadas pelos bens manufaturados, pode ser um reflexo da fraqueza do euro diante do dólar e de outras moedas desde meados do ano passado em razão das preocupações com a sobrevivência da divisa europeia na forma atual diante da crise de dívida soberana da região.

A baixa demanda dos consumidores e das empresas, que também é um aspecto da crise, pode ser evidenciada pelo fraco crescimento das importações. As informações são da Dow Jones.

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