Sustentabilidade do pré-sal amplia debate na Câmara

Discussão será em torno da alta emissão de gás carbônico que a exploração da camada provocará

DENISE LUNA, REUTERS

25 de setembro de 2009 | 14h54

A sustentabilidade da exploração e produção do petróleo na camada pré-sal será objeto de audiência pública na Câmara dos Deputados e promete esquentar a discussão sobre a nova fronteira petrolífera, que está sendo apontada pelo governo como a nova independência do Brasil e pelos ecologistas como um retrocesso ambiental.

Veja também:

linkDilma defende início imediato da exploração do pré-sal

especialO novo marco regulatório do petróleo

especialO caminho até o pré-sal

especialMapa da exploração de petróleo e gás 

 

De um lado defensores do meio ambiente gostariam que o país seguisse o exemplo do Equador e propusesse que a exploração do combustível fóssil não seja feita, em troca de pagamento pelos países ricos do correspondente à possível futura receita.

A dificuldade de precificação do gigantesco volume de reservas no caso brasileiro seria de cara um primeiro obstáculo para seguir o mesmo rumo do Equador --que todavia ainda não encontrou um comprador para sua proposta. Outro problema é o fato da Petrobras não apenas já ter começado a explorar e ter planos para uma segunda fase, quando a produção se tornará mais volumosa e, portanto, mais poluente.

O Equador propôs esta semana não desenvolver uma descoberta de 900 milhões de barris se os países ricos pagarem por isso. No caso brasileiro, até o momento, as reservas do pré-sal já somam entre 10,6 a 16 bilhões de barris.

Até 2016 a produção no pré-sal se situará abaixo de 1 milhão de barris diários, escala que dispara para 1,8 milhão de barris nos três anos seguintes.

No requerimento para a realização da audiência pública sobre o tema, encaminhado pelo deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) e aprovado pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, a justificativa para a reunião é de que os poços do pré-sal emitem, em média, "de três a quatro vezes mais gás carbônico do que os poços do pós-sal", afirmou o deputado.

Serão convidados para a audiência, ainda sem data marcada, os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão e do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Minc inclusive já falou sobre o tema, ressaltando que o alto teor poluente não seria motivo para interromper a exploração, "mas é preciso investir no armazenamento do carbono lá embaixo", afirmou.

No requerimento, Thame informou que já existem experimentações, tecnologia e práticas de seqüestro de carbono como sugere o ministro.

"No entanto, não se pode afirmar seja esta uma tecnologia amplamente disseminada e provada, quando se trata de aplicá-la ao processo de extração de óleo e gás de jazidas de hidrocarbonetos", explicou o deputado em seu requerimento.

Ele citou casos já conhecidos, sendoo mais antigo deles no Mar do Norte, onde a empresa norueguesa Statoil sequestra o dióxido de carbono retirado no curso da produção de gás de seus campos de gás natural. Outros exemplos citados foram de Weybum, na Província de Sakatchewan, no Canadá, e o de Salah, na Argélia.

De acordo com o gerente para América Latina do Green Initiative Carbon Assets (Gica), gestora de fundos de crédito de carbono, com certeza a melhor opção "é deixar o petróleo lá embaixo", avaliou.

"Petróleo é combustível do passado, não é nada inteligente explorar o pré-sal, você investe um monte de dinheiro e em 30 anos acaba...se investir o mesmo valor em solar, eólica, que são energias renováveis, você tem energia para sempre", observou.

Para o executivo a grande discussão que será formada daqui por diante será a disputa entre as aplicações sociais e ambientais dos recursos obtidos com o pré-sal.

"Melhor do que criar um fundo para compensar o pré-sal seria investir em formas mais limpas", insistiu.

Sobre a proposta de Minc, Couto explicou que no caso de campos em terra, o sequestro geológico tem o risco de contaminar os lençois freáticos, "e assim trocar seis por meia dúzia", mas que no caso do pré-sal o impacto ainda não é conhecido.

"Para questões onshore (em terra), cientistas discutem sobre a incerteza do potencial de captura desses gases, que girariam em torno de 15-30 pro cento das emissões. Para o pré-sal ainda não se sabe muita coisa...", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAPRESAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.