Taxa de desemprego sobe a 7,4%, mas é a menor para meses de fevereiro

Segundo gerente do IBGE, o mercado de trabalho ainda não está dispensando os temporários contratados no final do ano passado

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 09h01

A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,4% em fevereiro, ante 7,2% em janeiro, divulgou nesta quinta-feira, 25, o instituto. O resultado ficou perto do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 7,50% a 8,20%, e abaixo da mediana, de 7,70%. Em fevereiro do ano passado, a taxa de desemprego havia ficado em 8,5%.  

 

Segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do instituto, Cimar Azeredo, a taxa de desemprego de 7,4% apurada pelo IBGE em fevereiro de 2010 é a menor para meses de fevereiro desde o início da série (no caso em 2003). Trata-se também da taxa mais baixa para o mês em todas as seis regiões pesquisadas.

 

 

 

"Houve uma evolução favorável no mercado de trabalho de janeiro para fevereiro, não houve ampliação no número de desocupados", disse. A alta de 2,1% no total de desocupados em fevereiro, ante janeiro, é considerada como "estabilidade" por ele. "Pelo menos por enquanto, o mercado de trabalho está absorvendo, não está dispensando os temporários contratados no final do ano passado".

 

Ainda de acordo com ele, é natural a elevação da taxa de janeiro (7,2%) para fevereiro (7,4%), movimento também considerado como "estabilidade". Ele argumenta que esse é um comportamento histórico do mercado de trabalho, que sempre eleva as taxas no início do ano.

 

Renda

 

A renda média real chegou a R$ 1.398,90 no mês passado, com altas de 1,2% ante janeiro e de 0,9% ante fevereiro de 2009.

 

O aumento da renda média real em todas as bases de comparação, é atribuído pelo gerente do IBGE ao aumento da formalidade e à geração de vagas em atividades que pagam salários maiores, como indústria e serviços prestados à empresa.

Segundo ele, os dados mostram a continuidade do aumento do poder de compra dos trabalhadores. Na comparação com fevereiro do ano passado, entre as atividades pesquisadas, os principais aumentos na renda média real ocorreram na construção civil (12,8%), comércio (6,4%) e indústria (5,6%).

 

Massa Salarial

 

Já a massa de rendimento real efetivo dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou R$ 30,4 bilhões em janeiro de 2010, com queda de 18,9% ante dezembro de 2009 (quando somou R$ 37,2 bilhões). Na comparação com janeiro do ano passado, a massa de renda real efetiva teve variação positiva de 5,2%. Esse dado sempre se refere ao mês anterior ao de divulgação da pesquisa mensal de emprego.

 

 

A massa de rendimento real habitual dos ocupados, por sua vez, somou R$ 30,6 bilhões em fevereiro de 2010, com alta de 1,3% ante janeiro do mesmo ano e aumento de 4,6% sobre fevereiro do ano passado.

 

Mais ocupados

 

O número de pessoas ocupadas nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,67 milhões em fevereiro, com leve alta de 0,3% ante janeiro e aumento de 3,5% ante fevereiro de 2009. O número de desocupados, por sua vez, somou 1,72 milhão de pessoas no mês passado, com alta de 2,1% ante o mês anterior, mas com queda de 11,3% na comparação com fevereiro do ano passado.

 

Azeredo destacou  a geração de 725 mil postos de trabalho em fevereiro em relação a igual mês do ano passado, é a maior para essa base comparativa desde o ano de 2004. Segundo ele, outro dado importante e positivo da pesquisa é que o número de empregos com carteira assinada aumentou 6,4% em fevereiro ante igual mês de 2009, com geração de 598 mil vagas formais de um ano para o outro. O número de empregos sem carteira caiu 1,4% no período. "Há um cenário econômico mais favorável que está permitindo um mercado de trabalho mais robusto, com maior geração de postos de trabalho e aumento da formalidade", disse.

 

Azeredo comemorou também o que considera "um novo patamar da taxa de desemprego", que está na casa dos 7% em fevereiro deste ano, ante um patamar em torno de 8% ou mais no mesmo mês em anos anteriores. "O mercado de trabalho está hoje em um novo patamar de desocupação, em regiões como Porto Alegre e Rio de Janeiro já há taxas que lembram um cenário americano pré-crise. Isso porque o aumento na geração de vagas está acima do crescimento da procura por emprego", disse.

 

Na média das seis regiões, a taxa de desemprego em fevereiro foi de 7,4%. Em Porto Alegre, foi de 5,1% e no Rio, de 5,6%. Em São Paulo, que responde por cerca de 40% do emprego nas seis regiões, a taxa no mês ficou em 8,1%.

 

Texto ampliado às 11h32

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