Taxa de expansão do PIB deve ser de 2% a 2,5% no 1º trimestre, diz Mantega

Ministro atribui crescimento às medidas antincíclicas adotadas no ano passado, mas ritmo no 2º trimestre deve ser menor

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

26 de maio de 2010 | 14h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um balanço da situação da economia brasileira nesta quarta-feira, 26. Segundo ele, o primeiro trimestre de 2010 será marcado por um crescimento maior, influenciado pelas políticas anticíclicas adotadas para combater os efeitos da crise financeira no ano passado. Segundo ele, essas medidas ainda fizeram efeito no início do ano. Mas Mantega afirmou que o segundo trimestre já terá uma redução no ritmo de avanço por causa da retirada desses estímulos.

Mantega previu que a taxa de expansão do primeiro trimestre será entre 2% e 2,5%, mas que haverá nos trimestres seguintes uma redução deste ritmo. "Do ponto de vista do crescimento, caminhamos para um crescimento sustentável", disse. Ele lembrou que a previsão do governo para a alta do PIB em 2010 é de 5,5% a 6%.

O ministro também afirmou que a inflação também já dá sinais de arrefecimento e que o preço dos alimentos, que foi uma das principais pressões no início do ano, também já está desacelerando. Mantega também destacou a situação fiscal do Brasil que, segundo ele, é uma das melhores do mundo. Ele afirmou que o país voltará a reduzir este ano a relação dívida/PIB, após um crescimento em 2009. "A dívida voltará a cair em 2010 e voltaremos a uma trajetória descendente da dívida líquida."

Impacto da crise no Brasil

O ministro disse também, ao lado do diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que a crise enfrentada pelos países da Europa, embora seja localizada, traz consequências para o mundo, mas que, no Brasil, o impacto tem sido pequeno, com uma redução do fluxo de capital.

Mantega disse que é normal em momentos de crise que os investidores procurem aplicações mais tradicionais, como o dólar. "Isso reflete o pânico e a incerteza no curto prazo. Quando as medidas adotadas pela Europa forem concretizadas e começarem a surtir efeito, haverá um refluxo deste pânico que há hoje nos mercados", afirmou.

Ele defendeu que o ajuste fiscal feito pela Europa não se resuma "a um ajuste clássico" como o FMI sugeria no passado. Segundo ele, o ajuste fiscal deve preservar as condições de crescimento nos países europeus. Para Mantega, não se pode condenar esses países como no passado se eles não tiverem condições de crescer.

Ele contou que o Brasil propôs um programa de retomada do crescimento para a Europa que una o ajuste fiscal e os cortes a condições que aumentem a produtividade e a competitividade dos países. "Não chego a propor um programa de aceleração do crescimento (PAC), mas é disso que eles precisam", disse em entrevista coletiva. Segundo o ministro, só o crescimento econômico gera dinheiro para o pagamento da dívida pública e redução da dívida.

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