Taxa de incidência da CVC nos citros se mantém, mas severidade cresce

Ribeirão Preto, 10 - Levantamento feito por amostragem pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), sob a coordenação do estatístico José Carlos Barbosa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), apontou que em 2004 a incidência da CVC (Clorose Variegada dos Citros) nos pomares do Estado de São Paulo e do Sul do Triângulo Mineiro praticamente é a mesma apontada no ano passado, mas a severidade da doença aumentou. A avaliação, divulgada há pouco mas feita de junho a agosto em 1,9 mil plantas cítricas, mostrou que a incidência neste ano na região atinge 43,84% das plantas ante 43,56% em 2003. No entanto, o aumento na severidade da doença foi constatado com o crescimento de 33,18% para 35,98% na incidência da CVC já nos frutos.O Estado de São Paulo e o sul do Triângulo Mineiro concentram o maior parque citrícola do mundo. O trabalho levou em consideração a idade, variedade, região e zona de plantio. De acordo com o Fundecitrus, o aumento da severidade, ou seja, a constatação de que há mais plantas com redução no tamanho de frutos (sintoma nível 2), indica que algumas plantas com sintomas iniciais (nível 1) migraram para o nível 2 neste ano. O crescimento foi principalmente em árvores de seis a dez anos. Na árvore que tem CVC com sintomas iniciais e não é podada adequadamente ou eliminada, a doença evolui, aumentando os prejuízos do citricultor e servindo de fonte de contaminação no campo. "O aumento de severidade faz com que as perdas sejam maiores em razão do pequeno tamanho do fruto", explica Barbosa, responsável pela análise dos dados. Para o secretário-executivo do Fundecitrus, Nelson Gimenes Fernandes, "a incidência e a severidade estão mais altas nos pomares com mais de seis anos, porque não receberam os cuidados necessários desde o plantio". Há cinco anos, quando começaram a ser implantadas as primeiras medidas tecnológicas em larga escala, praticamente não se sabia o que era a CVC, como ocorria a disseminação e como controlá-la. Causada pela bactéria Xylella fastidiosa, a CVC tem ação no fluxo de água e nas trocas gasosas da planta e faz com que, sem o líquido, as folhas murchem, os frutos diminuam de tamanho e as células responsáveis pela troca de gases se fechem, diminuindo a fotossíntese e a produção de nutrientes. Nas plantas de até dois anos a contaminação por CVC é de 5,66%. O resultado indica que com o passar do tempo a CVC pode ter uma diminuição, uma vez que a contaminação em pomares novos permaneceu entre 2% e 7% nos últimos cinco anos. Na década de 90, os índices eram altos nessa faixa etária, variavam de 12% a 35% de contaminação. A redução dos números comprova que as propriedades que têm adotado as medidas de controle - plantio de muda sadia, poda ou eliminação de plantas doentes e controle de cigarrinhas (vetor) - nos pomares jovens estão contribuindo para a redução da CVC. "É importante usar o conjunto de medidas para o sucesso do controle", diz o gerente científico do Fundecitrus, Antonio Juliano Ayres. O levantamento apontou também que a incidência da CVC é maior no norte do Estado de São Paulo e sul do Triângulo Mineiro, onde 60,73% das árvores estão afetadas. Mesmo com alta incidência, houve uma queda na CVC em relação ao ano passado, quando a contaminação atingia 65,06% das plantas cítricas. A CVC também tem números expressivos no centro do Estado de São Paulo, que apresenta 54,66% de incidência. Na região noroeste, 49,72% das plantas têm CVC e o sul do Estado de São Paulo é a região com menor incidência da doença, com 13,71% de plantas contaminadas. De acordo com o Fundecitrus, a disparidade na incidência da doença nas diversas zonas está ligada a fatores climáticos e à população de vetores. Além dos primeiros registros terem sido feitos no norte e noroeste paulista, indicando que a doença está lá há mais tempo, o clima quente e seco é favorável à manifestação dos sintomas. Essas regiões são ainda as que apresentam a maior população das principais cigarrinhas transmissoras da doença, se comparadas ao Sul do Estado.

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