Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Taxa de juros seguirá em queda, mas com muita cautela, diz Dilma

Durante seminário em São Paulo, a presidente reforçou que o governo tem tomado as medidas necessárias para enfrentar os reflexos da crise internacional

Francisco Carlos de Assis e Anne Warth, da Agência Estado,

30 de setembro de 2011 | 15h00

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira, 30, que o governo pretende manter a trajetória de redução de juros, mas com muita cautela e responsabilidade. Dilma participou do Exame Fórum 2011, na capital paulista, e falou para uma plateia de empresários pautada pelo tema "A Construção de Um Brasil Competitivo". A presidente ressaltou que o governo não vai baixar os juros básicos movido simplesmente pela reivindicação de agentes econômicos. "Vamos manter a trajetória de redução de juros de acordo com as condições econômicas do País", afirmou, reforçando que o governo tem tomado as medidas necessárias para enfrentar os reflexos da crise internacional e vem sendo beneficiado pelo cenário deflacionário causado pelo baixo crescimento das economias centrais.

Dilma citou medidas já adotadas pelo governo, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado de derivativos e a redução da taxa Selic em 0,5 ponto porcentual no fim de agosto. "Sabemos que vamos enfrentar muitos desafios, mas temos instrumentos para zelar pela competitividade. Temos instrumentos para garantir o Brasil competitivo. Nós somos fortes para enfrentar os efeitos da crise", disse a presidente, antes de ressalvar: "Não vamos para o vale-tudo da competição de mercados que estão fora de controle, fora do País."

Dilma disse que o Brasil deve criar uma muralha para defender a economia nacional e conclamou os empresários e a sociedade civil a participar da construção desta proteção. "Isto não é um trabalho só do governo, é da sociedade civil como um todo", afirmou. "Não vamos fechar os olhos, pelo fato de não haver uma crise aqui dentro, para uma crise lá fora."

Câmbio

A presidente disse também que o governo está alerta para fazer o que for necessário para proteger o País dos efeitos da crise, mas descartou a adoção de medidas de manipulação cambial, diminuição de salários e precarização do mercado de trabalho como forma de defesa do Brasil. De acordo com a presidente, uma das consequências da crise deve ser o acirramento de medidas protecionistas no mercado internacional. O Brasil, porém, segundo Dilma, não vai adotar ações de "proteção pela proteção", mas medidas que elevem a competitividade do produto nacional. Na avaliação dela, o novo regime automotivo se encaixa nesse critério.

"Estamos bem atentos, adotando as medidas necessárias para nos proteger, seja de consequências financeiras, seja de um tipo de competição bastante desleal. Com coragem e ousadia vamos atuar de forma defensiva", afirmou a presidente, em discurso durante o Exame Fórum 2011, com o tema A Construção de Um Brasil Competitivo na capital paulista. "Por isso, estamos adotando políticas que garantam a competitividade dos nossos produtos contra políticas cambiais irreais e medidas protecionistas muito escancaradas."

Em seu discurso, a presidente disse que as medidas adotadas pelo governo têm a intenção de elevar a competitividade do produto nacional e transformá-lo em um instrumento de desenvolvimento. "E não voltar às velhas práticas de proteção pela proteção. Nós queremos competir, e nós queremos garantir que a nossa competitividade real não seja manchada por mecanismos informais de redução da nossa competitividade, sejam cambiais, financeiros e de qualquer tipo", afirmou.

Dilma defendeu a criação da nova política para o setor automotivo como uma das formas de defender a competitividade do País. "Nós não vamos, para defender a nossa competitividade, não vamos nem achatar salários, nem precarizar o mercado de trabalho, ou manipular a taxa de câmbio", afirmou. "Mas nós vamos utilizar instrumentos adequados, como, vamos dar peso à geração e agregação de valor dentro do Brasil e à inovação. Daí o sentido da nossa política, por exemplo, de IPI dos automóveis."

Segundo a presidente, o governo vai zelar pela estabilidade econômica. "Nós somos fortes, quero reiterar isso, para enfrentar os efeitos da crise, mas não vamos temer o vale tudo do processo de competição internacional, nascido do fato de que os mercados financeiros estão completamente fora de controle em vários países", afirmou. "Sabemos que não somos uma ilha e que temos todos os elementos para dessa vez ter um País não inatingível, mas um País em que nós todos construímos as muralhas necessárias para que os efeitos da crise nos atinjam menos."

Dilma disse que o governo não vai se omitir durante a crise. "Não podemos fechar os olhos e achar que, porque não temos uma crise aqui, ela não existe lá fora. Temos de estar atentos para tomar as medidas em tempo hábil", afirmou. "Não vejo espaço para omissão nessas circunstâncias, e felizmente pelo que eu posso perceber, até agora são muito equalizadas e muito minoritárias as vozes que se levantam quando a gente toma medidas de defesa da economia, estabilidade, emprego e setor produtivo", disse. "Tenho certeza de que vou poder contar com o engajamento dos empresários, trabalhadores na defesa do emprego, mercado interno e capacidade de competição no mercado internacional."

Deficiências

A presidente reconheceu as deficiências na infraestrutura brasileira e ressaltou que esse é um problema que será resolvido no decorrer dos próximos dez anos porque nos últimos vinte anos ou foi feito pouco ou quase nada de investimentos neste setor.

Dilma destacou que o País já conseguiu superar alguns dos grandes problemas de infraestrutura e citou como exemplo os setores de petróleo e energia. No entanto, ela pontuou como grande problema ainda para o Brasil a área de aeroportos.

"Nós vamos construir aeroportos não para a Copa do Mundo ou Olimpíada, mas para nós mesmos, para o nosso dia a dia", disse a presidente. Dilma reiterou que o governo está pensando na infraestrutura aeroportuária no longo prazo e que as concessões serão dadas até 2041, e algumas até 2031, disse a presidente. As concessões para três aeroportos serão feitas até 2041 e há outros cujas concessões sairão até 2031, segundo Dilma.

(Texto atualizado às 16h47)

Tudo o que sabemos sobre:
dilmabrasilcrise

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.