Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Telecom Itália rechaça união com a Oi e diz que vai investir R$ 14 bi no Brasil

Presidente da empresa italiana, controladora da TIM, admite ter estudado os números da concorrente brasileira por quatro meses, mas diz que benefícios de uma aquisição não são ‘evidentes’; investimento para os próximos três anos é recorde no País

Fernando Nakagawa, correspondente , O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 21h55

LONDRES - A Telecom Itália, dona da TIM no Brasil, anunciou ontem um plano de investimentos ambicioso para o mercado brasileiro, que prevê investimento recorde de R$ 14 bilhões entre 2015 e 2017. Durante uma apresentação para jornalistas, realizada ontem em Londres, o presidente do grupo, Marco Patuano, disse que os recursos serão financiados pela própria empresa e que a intenção da companhia é crescer de forma “orgânica” no País - afastando mais uma vez as informações de que a TIM e a brasileira Oi estariam estudando uma aliança. 

Com esses recursos, a rede de transmissão celular 4G deverá chegar a 15 mil locais no Brasil em 2017 e a cobertura 3G estará em 14 mil locais do País em 2017, garantiu a empresa. “Vamos acelerar o investimento na Itália, vamos acelerar o investimento no Brasil e aceleraremos a recuperação do crescimento das receitas no Brasil”, disse o executivo aos investidores e analistas. No ano passado, o grupo teve um faturamento global de  21,6 bilhões, dos quais  6,2 bilhões vieram do Brasil e  15,3 bilhões, da Itália. As vendas caíram nos dois países, na comparação com 2013: 6,6% e 2,1% respectivamente. 

O plano de investimento global é de  14 bilhões para o próximo triênio. Entre as iniciativas que permitirão o “autofinanciamento” desses recursos, Patuano citou o antigo plano de venda das torres de transmissão e a redução do pagamento de dividendos aos acionistas ao mínimo previsto na lei brasileira.

Ao detalhar os planos, o executivo disse que a intenção da companhia é levar o indicador de dívida em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em direção a uma relação de 2,5 vezes. “Continuamos atentos à alavancagem e vocês sabem que sou maníaco pelo indicador. Então, a trajetória será em direção a uma alavancagem de 2,5 vezes o Ebitda no fim do plano (em 2017) no Brasil”, disse. Ao traçar essa meta, o executivo disse esperar da subsidiária brasileira um crescimento “contínuo” do Ebitda ao longo dos próximos três anos. 

O presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, disse que a cifra de R$ 14 bilhões de investimentos até 2017 é “forte e realística”. O montante representa um avanço na comparação com o plano anterior da empresa. Divulgado em 2013, ele projetava investimentos totais de menos de  14 bilhões para o período de 2014 a 2016, sendo R$ 11 bilhões reservados ao Brasil. Nos últimos três anos, de 2012 a 2014, os investimentos orgânicos da TIM somaram R$ 10,5 bilhões. Os investimentos totais, que consideram os aplicados em licenças, incluindo no âmbito do leilão de 4G do ano passado, foram de R$ 14,6 bilhões. 

Consolidação. Ontem, questionado sobre os rumos da subsidiária brasileira, Marco Patuano disse ter passado quatro meses avaliando os números da operadora Oi. Após a análise, a controladora da TIM Brasil entendeu que o benefício gerado por eventual união entre as duas operadoras no Brasil “não é evidente”. Mesmo com essa iniciativa de analisar os números, nenhuma proposta oficial chegou ao grupo italiano, disse o presidente da Telecom Itália. Por isso, o grupo optou por “voltar ao plano original” e acelerar investimentos no Brasil. Segundo o executivo, o esforço tinha como objetivo avaliar eventuais benefícios gerados por uma fusão entre as duas empresas no mercado brasileiro.

Marco Patuano foi duro, e em alguns momentos irônico, ao comentar o assunto. “Como você pode imaginar, minha mesa está ocupada agora. Infelizmente, não há espaço (para a Oi)”, respondeu a um analista que insistiu em saber sobre os planos da subsidiária brasileira e seu relacionamento com a Oi. “O que aconteceu é que alguém fingia querer nos comprar, mas nunca chegaram a fazer uma oferta”, disse o executivo. 

O presidente da Telecom Itália reconheceu que os últimos meses foram agitados para a direção da TIM Brasil. Primeiro, com a entrega de uma oferta para fusão com a GVT. Depois, com a chance de união com a Oi. “Ficou claro que isso (a Oi) é uma história diferente da GVT. O propósito é diferente e o nível de complexidade é diferente. Quando começamos a avaliar a possibilidade levamos quatro ou cinco dias para avaliar a GVT e foram quatro meses trabalhando nos arquivos da Oi”, disse. “Então, tendo isso em mente, acho que voltamos ao plano original e Rodrigo (Abreu, presidente da TIM Brasil) vai ter de investir mais.”

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