Telecom Italia venderá participação na BrT

As negociações começaram em dezembro do ano passado

Nilson Brandão Junior e Irany Tereza, da Agência E,

19 de julho de 2007 | 20h15

A Telecom Italia (TI) anunciou o fechamento do acordo para a venda de sua fatia na Brasil Telecom (BrT) para os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica) por US$ 515 milhões. A TI é dona de 38% da Solpart, holding que detém 51% do capital ordinário (com direito a voto) da BrT. O Citigroup passa a ser o único sócio dos fundos na Solpart. O negócio abre espaço para a melhora da gestão da BrT e, segundo fontes que acompanham a empresa, poderá facilitar eventual entrada no futuro de um sócio estratégico ou a possível fusão com o Grupo Oi (ex-Telemar).   Pelo menos duas empresas já teriam demonstrado interesse no passado recente pela BrT: a operadora egípcia de telefonia Orascom e a Portugal Telecom (PT). O grupo português pode vender sua fatia na Vivo e quer permanecer no mercado brasileiro. Procurado, o grupo não comentou a notícia. Embora os acionistas da BrT afirmem que não estejam tratando do assunto nesse momento, estudos para uma fusão com o Grupo Oi (ex-Telemar), no futuro, não estariam descartados, diz a fonte.   As negociações para a venda da fatia acionária da Telecom Italia na Brasil Telecom começaram em dezembro do ano passado. Pelos próximos 60 dias, a Techold Participações, dona da Solpart, tem direito de preferência para cobrir a oferta feita pelos fundos. A Techold é composta pelos próprios fundos, além do Opportunity, Citigroup e outros acionistas, como fundos de investimento.   Em comunicado divulgado hoje, a TI informa que vai concentrar sua operação no mercado brasileiro na TIM, segunda maior empresa de telefonia celular no País. A idéia é reforçar a presença local por meio da empresa. Já a BrT tem condições agora, com a redução de conflitos internos, de avançar mais facilmente. "A aquisição tira da BrT um conflito societário. Já enfrentamos arbitragem (envolvendo a TI) e agora o acordo simplifica o quadro societário, fazendo com que os sócios possam discutir melhor os interesses da empresa", disse o presidente da Previ, Sérgio Rosa.   O fechamento do negócio abre um "leque bastante diverso de oportunidades" para os controladores da BrT, avalia o analista-chefe do Santander para telecomunicações na América Latina, Válder Nogueira. Ele explica que a potencial saída da TI deixará o comando da BrT mais "uniforme". Dentre as possibilidades futuras, ele cita uma reestruturação acionária com pulverização do capital, eventual fusão com o Grupo Oi ou mesmo a venda para um outro grupo do setor de telecomunicação. Um executivo ligado à empresa diz que uma das ambições é a entrada no Novo Mercado da Bovespa.   A alternativa de fusão com o Grupo Oi - que tenta, mais uma vez, recomprar todas as suas ações preferenciais (PN) e pulverizar o capital - não foi comentada pelos principais executivos dos fundos de pensão. "Acho que não é hora de falar nisso. Brasil Telecom e Telemar são duas empresas com lógicas próprias para definir o que vai acontecer no futuro", disse o presidente da Previ.   O presidente do Funcef, Guilherme Lacerda, reconhece que o processo de consolidações cresce no mundo, mas cita que este assunto não está sendo tratado.   Reestruturação - Uma fonte que acompanha de perto a Brasil Telecom conta que o negócio abre caminho para uma reestruturação societária na empresa. A mesma fonte argumenta que é razoável imaginar que uma fusão com a Oi aumentaria o valor das duas companhias. A fusão dependeria, contudo, de mudanças na legislação. "Isso não está fora de propósito", comentou um executivo do setor. Quando surgiram os primeiros rumores sobre uma associação entre a Brasil Telecom e a Oi, as duas empresas negaram entendimentos neste sentido.

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