Telefónica critica diretores da PT sobre oferta à Vivo

A espanhola Telefónica disse que os diretores da Portugal Telecom podem não estar totalmente alinhados em relação à criação de valor acionário ao rejeitar sua oferta pela participação da PT na Vivo Participações, no mais recente sinal do crescente racha entre os dois parceiros ibéricos sobre o controle da operadora de telefonia móvel brasileira.

CLARISSA MANGUEIRA, Agencia Estado

26 de maio de 2010 | 09h26

Na apresentação para os investidores, a Telefónica disse que os diretores da Portugal Telecom rejeitaram a sua oferta de 5,7 bilhões de euros pelo controle da Vivo "sem devida consideração". A Telefónica afirmou que poderá bloquear a habilidade de a Portugal Telecom assegurar os dividendos da Vivo por meio da Brasilcel, em um movimento para aumentar a pressão para que a PT venda sua participação na empresa brasileira.

A companhia espanhola disse aos investidores que a Portugal Telecom não tem acesso direto ao fluxo de caixa da Vivo e uma valor estimado de 111 milhões de euros que a PT poderia obter por meio da operadora brasileira está sujeito a um acordo com a Telefônica. "A estratégia da Telefônica é chantagem", disse um porta-voz da Portugal Telecom, acrescentando que a empresa deve abandonar seus lugares no conselho de diretores da PT, devido à falta de "lealdade" e a um conflito de interesses.

A Portugal Telecom e a Telefónica dividem atualmente o controle da Brasilcel, uma holding que detém cerca de 60% da Vivo. A joint venture foi criada em 2001, mas cada uma das empresas já tentou comprar a participação da outra na Brasilcel. A PT rejeitou até agora a oferta da Telefónica e descreveu a Vivo como um ativo estratégico e o Brasil como um mercado chave. "Os acionistas internacionais não devem ser impedidos de dar sua opinião a respeito da Vivo", destacou a Telefónica em sua apresentação.

A Telefónica, que possui 10% da Portugal Telecom, iniciou um roadshow nesta quarta-feira a fim de persuadir outros acionistas importantes na PT - incluindo os investidores norte-americanos Brandes Funds e BlackRock - a apoiarem sua oferta pelo controle da Vivo. A oferta faz parte dos esforços da Telefónica para aumentar sua escala no Brasil e desbloquear sinergias no setor de comunicações do País, que cresce rapidamente. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.