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Dona da Vivo, Telefônica tem interesse em rede móvel da Oi

Segundo fontes, operadora espanhola estaria de olho em operações que integram tecnologias 3G e 4G; ações da Oi tiveram alta de 5,71% nesta manhã

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 12h18
Atualizado 16 de setembro de 2019 | 22h45

Uma semana após o novo marco legal de telecomunicações ser aprovado no Congresso, a corrida para a consolidação do setor já começou. O grupo espanhol Telefônica – dono da Telefônica Brasil e da marca Vivo – manifestou interesse por comprar a Oi. A informação foi antecipada pelo jornal espanhol El Confidencial e confirmada em seguida pelo Estadão/Broadcast com fontes do mercado.

O Estadão/ Broadcast apurou que o interesse da Telefônica está especificamente nas redes móveis da Oi, que abrangem as tecnologias 3G e 4G, e não nas redes fixas, voltadas para banda larga e TV por assinatura. 

Segundo o jornal espanhol, a Telefônica teria contratado o banco de investimentos Morgan Stanley para ajudá-la na aquisição. Entretanto, as conversas ainda estão em estágio inicial, segundo fontes. Procuradas, as empresas não quiseram comentar.

A movimentação no mercado começou logo após o Senado aprovar, na semana passada, o novo marco legal de telecomunicações. Pelas novas regras, as empresas da área podem vender ativos e cortar gastos em troca de novos investimentos.

Conforme esperado por analistas do setor, essa medida deu maior segurança a investidores e aliviou as finanças das companhias, abrindo espaço para fusões e aquisições. A Oi, em recuperação judicial, é o principal alvo das concorrentes.

Fatiamento

A rede móvel da Oi vale em torno de R$ 14 bilhões a R$ 15 bilhões, segundo o analista-chefe da Necton Investimentos, Glauco Legat. Ele disse que fatiar os ativos pode ser uma boa alternativa para a operadora reforçar o caixa e concentrar os investimentos na expansão da fibra ótica. 

Segundo ele, a Oi já tem dutos e cabos instalados em boa parte do País, o que reduz o custo médio de instalação da fibra óptica em 30%. “Uma operadora fixa e móvel integrada consome muito capital. Na minha visão, a Oi não para de pé assim”, afirmou Legat. “Faz mais sentido ela se voltar ao segmento no qual já tem vantagem competitiva. E a Oi já tem uma enorme capilaridade de redes”.

Na opinião de José Rocha, gerente sênior de telecomunicações da consultoria E&Y, as redes móveis são o “filé mignon” da Oi. Portanto, uma potencial venda do ativo poderia ajudar o caixa da tele no curto prazo, mas deixaria a companhia fora de um mercado importante no futuro.

“A venda precisaria ser muito bem pensada. O advento de novas tecnologias, como o 5G, permitirá a oferta de banda larga pelas redes móveis em um horizonte de uns cinco anos. Aí a fibra vai começar a perder força”, disse Rocha.

As fontes consultadas disseram que as redes móveis da Oi são valiosas tanto pelo lado da infraestrutura – com antenas e faixas de frequência – quanto pelos clientes que agregariam ao seu comprador. A partir daí seria possível reduzir custos com lojas, publicidade e estrutura de redes.

A Oi tem 42,1 milhões de clientes, o equivalente a 16,4% de participação no mercado de telefonia móvel no País. A liderança é da Vivo (32,3%), seguida por Claro (24,7%) e TIM (24,0%), segundo ranking da consultoria Teleco com dados até julho.

Para se concretizar, uma potencial compra da Oi por qualquer concorrente também precisaria de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois representará uma concentração do mercado relevante.

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