Telefónica vai aumentar pressão por compra da Vivo

Empresa iniciará um road show na próxima quarta-feira a fim de persuadir os principais acionistas da Portugal Telecom

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 11h02

A Telefónica pressionará nesta semana os principais investidores da Portugal Telecom a aceitarem sua oferta pela participação da companhia na Vivo Participações, intensificando a batalha pelo controle da operadora de telefonia móvel brasileira. A Telefónica iniciará um road show na próxima quarta-feira a fim de persuadir os principais acionistas da Portugal Telecom - inclusive aumentando a pressão sobre o fundo Brandes Investments e o Blackrock -, para que apoiem sua oferta de 5,7 bilhões de euros pelo controle da Vivo.

O movimento é visto como crucial para os esforços da gigante de telefonia espanhola para aumentar sua escala e desbloquear sinergias no setor brasileiro de comunicações. Até agora, a Portugal Telecom rejeitou a oferta feita pela Telefónica. O primeiro-ministro português, José Sócrates, descreveu a companhia como ativo estratégico e o Brasil como um mercado-chave.

Para provar sua tese e pressionar os acionistas da Portugal Telecom, a Telefónica contratou o banco de investimento suíço UBS. A companhia também está sendo auxiliada pelo Crédit Suisse, De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Pressão

Os conselheiros irão centrar foco sobre os acionistas norte-americanos, como o Brandes e o BlackRock. O Brandes, que detém pouco mais de 9% do capital social da Portugal Telecom, poderia desempenhar um papel central na decisão. O BlackRock tem participação de 2,3% na companhia. Representantes dos dois fundos não puderam ser imediatamente contatados para comentar o assunto.

A Telefónica, que também tem uma participação de 10% na Portugal Telecom, poderia convocar uma reunião extraordinária dos acionistas, mas a estratégia preferida da companhia espanhola é a de deixar essa decisão para outros acionistas. A oferta feita pela Telefônica no início deste mês causou danos irreparáveis a uma já frágil relação entre as duas empresas, segundo uma das fontes, que acrescentou que agora não há caminho de volta para qualquer uma das companhias.

Para ambas as empresas, a Vivo é um ativo chave. A companhia brasileira correspondeu a cerca de metade da receita da Portugal Telecom no primeiro trimestre na única área que apresentou crescimento no período. A empresa de Portugal disse que a Vivo é uma parte essencial de seus negócios e deixar o Brasil ameaçaria suas perspectivas de crescimento no longo prazo.

ATelefónica, por sua vez, quer fundir a Vivo com a operadora de telefonia de São Paulo (Telesp) a fim de aumentar sua escala no Brasil e desbloquear 2,8 bilhões de euros em sinergias.

Na semana passada, a Portugal Telecom iniciou uma campanha própria na Califórnia e na costa leste dos EUA, para tranquilizar os investidores sobre sua estratégia no Brasil. Para ajudar a se defender da oferta hostil, a Portugal Telecom contratou o Bank of America-Merrill Lynch. A companhia se recusou a comentar o assunto.

As informações são da Dow Jones.

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