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Teles dificultam escolha de planos

Pesquisa do Idec com operadoras fixas mostra que consumidores optam por pacotes mais caros por falta de informação

Naiana Oscar, de O Estado de S. Paulo,

24 de agosto de 2010 | 22h30

Sem informação suficiente para escolher o plano mais adequado de telefonia fixa, os consumidores correm o risco de pagar até 72% a mais por mês, de uma operadora para outra, fazendo o mesmo número de ligações. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) analisou planos básicos de quatro empresas, que juntas detêm quase 90% do mercado brasileiro, e concluiu que os clientes são induzidos a contratar pacotes mais caros por falta de conhecimento.

Com o resultado da pesquisa, o instituto notificou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedindo mais fiscalização e padronização na cobrança tarifária. O levantamento do Idec foi feito com o objetivo de avaliar a qualidade das informações prestadas pelas operadoras sobre preços, o valor de franquia e os detalhes de cada plano. "Inicialmente, esperávamos conseguir todos os dados nos sites, mas foi impossível", diz a advogada Estela Guerrini, responsável pela pesquisa. "Quando os números estavam disponíveis, eram incompletos ou confusos."

Sem saber as condições e os valores de tarifa de cada plano, fica difícil comparar operadoras para escolher a mais barata. Os produtos oferecidos pelas empresas de telefonia fixa se tornam mais ou menos vantajosos de acordo com o perfil de cada cliente. Por isso, antes de começar a via crúcis atrás de valores é preciso definir os gastos mensais com telefonia e tempo consumido com ligações para celular, DDD e local. De forma geral, segundo o Idec, os planos mais interessantes são os que oferecem franquia livre – quando o valor da chamada é debitado da assinatura mínima mensal.

Por exemplo: uma pessoa que faz 150 minutos de ligação local para telefones fixos por mês, 50 para celular e outros 50 minutos para DDD, no horário reduzido, receberá uma fatura de R$ 51,15 da Telefônica, no plano Controle (com franquia livre de R$ 29,90). No plano básico da mesma empresa, o consumidor teria de pagar R$ 88,10 pelo mesmo consumo. Na NET, sairia por R$ 79,90 e na GVT por R$ 74,46.

Compra às cegas

A equipe de pesquisadores do Idec chegou a esses números (e aos outros, mostrados na tabela ao lado) fazendo o mesmo caminho que faria um consumidor: primeiro no site, depois no serviço de atendimento por telefone. Mas só a página da NET na internet apresentou todos os dados necessários à comparação. Para as demais empresas, foi preciso recorrer ao SAC e ainda assim nem todas as perguntas foram respondidas.

O exemplo mais crítico é o da Oi, concessionária que cobre o País inteiro, menos o Estado de São Paulo. Para poder compará-la às outras operadoras, o instituto teve de se basear num perfil de cliente "improvável", que faz apenas ligações locais de fixo para fixo, pois esses foram os únicos dados fornecidos pela empresa, no site e no SAC.

O instituto constatou também que as informações estão disponíveis de forma distinta entre os estados em que a empresa atua. No site da Oi no Mato Grosso Sul, por exemplo, os valores dos planos não estão publicados enquanto no Rio de Janeiro há um detalhamento maior. Mesmo depois de desbravar os sites da operadora e entrar em contato com o SAC, o Idec ficou sem saber os valores das tarifas para ligações DDD fixo e DDD celular. A assessoria de imprensa da Oi não foi encontrada para comentar o resultado da pesquisa.

No caso da Telefônica, houve divergência entre as informações que estavam no site e as que foram transmitidas pelo SAC: alguns planos detalhados na internet não são mais oferecidos pela empresa. E no site não constam as variações tarifárias de DDD por faixa de horário e distância da ligação. Por meio da assessoria de imprensa, a operadora se limitou a dizer que todas as informações sobre os planos foram repassadas aos pesquisadores do Idec e que os dados mais relevantes estão no site.

A GVT omitiu os valores de ligações DDD no site, o que chegou a ser solucionado por telefone com atendentes. Em nota, a empresa confirmou a ausência dessa informação para um dos planos oferecidos e se comprometeu a fornecê-la até o fim do mês no website. "É um trabalho tão exaustivo levantar os dados que a maioria dos consumidores desiste e acaba comprando às cegas mesmo", diz Guerrini.

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