Iara Morselli/Estadão
Iara Morselli/Estadão

‘Tem de tirar penduricalhos para facilitar a vida de quem empreende’

Para o empresário, País está voltando a crescer, mas há medidas que acelerariam essa tendência positiva

Entrevista com

Carlos Jereissati Filho, presidente da Iguatemi Empresas de Shopping Center

Mônica Scaramuzzo e Cristiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 06h00

À frente do grupo Iguatemi, conglomerado de luxo que fatura R$ 13 bilhões por ano, o empresário Carlos Jereissati Filho está desengavetando projetos. Para ele, o País evitou a recessão técnica e, até meados do ano que vem, viverá um período de crescimento mais forte. Porém, há várias pedras a serem tiradas do caminho, sobretudo as ligadas ao peso estatal. “O Estado brasileiro deve se voltar aos lugares nos quais se precisa dele”, diz Jereissati. “É preciso permitir a autorregulação e diminuir a dependência do Estado brasileiro. Essa é uma essência que a reforma trabalhista já trouxe e precisa ser estendido em outros segmentos.”

Jereissati também defende uma reforma da Previdência mais ampla, que inclua os Estados e municípios. “É importante para que a reforma não fique capenga.” A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) paralela, que inclui toda a federação dentro dessa reforma, é uma das bandeiras do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator do projeto no Senado e tio de Carlos. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

O sr. vê uma retomada da economia nos próximos meses?

Sim. Acho que até o meio do ano que vem veremos crescimento melhor da economia, com reformas aprovadas e um universo mais claro. O governo já está tratando outros temas para melhorar o ambiente de negócios. Não é só o crescimento da economia. Precisa tornar o Brasil mais interessante para atrair investimentos. Tem muita coisa a ser feita.

Como o quê?

Temos um problema crônico de infraestrutura. Também temos de tirar penduricalhos para facilitar a vida de quem empreende. Tem de começar a entender que o Estado brasileiro deve ficar focado onde se precisa dele. E deixar que as pessoas acima disso se autorregulem, sem depender do Estado. É uma essência que a reforma trabalhista já trouxe e precisa ser estendida a outros segmentos.

Como o sr. vê a condução das discussões sobre a reforma da Previdência?

Não faz sentido ter uma reforma da Previdência sem incluir Estados e municípios. É importante para que a reforma não fique capenga. Se andar essa PEC paralela (projeto de emenda constitucional do Senado que inclui Estados e municípios na reforma), pode melhorar muito. Imagina só mais de 2 mil sistemas de Previdência diferentes em municípios. Isso é uma maluquice. É decretar a falência.

A PEC paralela seria um fator de pressão para uma reforma mais ambiciosa?

Não é só uma pressão porque todo mundo está querendo... Não passar seria um problema muito grande. A Previdência é um problema presente e do futuro. O problema atual é a folha (de pagamento) dos servidores. Tem a questão também do estatuto do servidor, que tem de mudar, tirar todos esses penduricalhos que a gente não enxerga – quem entra e já tem todas as gratificações. Esse mecanismo todo tem de ser desmontado, sob pena de que tudo que a gente paga de imposto virar salário. É o fim do mundo. Não tem investimento.

Uma reforma maior ajudaria a destravar investimentos de maneira geral?

Sim. Veja o setor imobiliário. Tem muita gente animada com lançamentos novos. A gente tem projetos de expansão de verticalização de shoppings. Estamos sentindo procura para projetos nesse sentido.

O grupo Iguatemi já está desengavetando projetos imobiliários?

Sim. Há um movimento de usos diferentes para esses complexos, que estão crescendo. Hotéis, geralmente a gente vende, e prédios comerciais, costumamos fazer permutas pela participação do VGV (Valor Geral de Vendas). Isso cria tráfego contínuo de pessoas. Evitamos a recessão técnica.

Os empresários ainda estão unidos em relação às questões sobre o País, mais do que antes?

Os empresários hoje conversam no governo de maneira mais estruturada, por meio de suas associações. Hoje as entidade são mais estruturadas, mais empoderadas e legítimas. Muitas associações trabalham mais em conjunto para questões importantes, como a reforma da Previdência e vão discutir a reforma tributária. Vai ser um debate grande.

Como o sr. tem participado diretamente dessas conversas?

Por meio da associação, da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). É melhor você ser representado por meio de um grupo do que isoladamente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.