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Temos de estabelecer limites para a valorização cambial, diz Mantega

Segundo o ministro, governo possui munição caso haja falta de dólares e crédito no mercado

Anne Warth e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2011 | 18h38

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, 16, que é preciso estabelecer limites para que a valorização do real não prejudique o País. Durante palestra para alunos do curso de Jornalismo Econômico do Grupo Estado, o ministro disse que o Brasil se tornou mais sólido ao longo dos anos e que a valorização da moeda foi uma consequência natural disso. "Mas temos que estabelecer limites para essa valorização não prejudicar o País", afirmou.

Mantega assegurou que não faltará munição do governo caso haja falta de dólares e crédito no mercado. "Um importante instrumento do Banco Central é o depósito compulsório. Temos R$ 430 bilhões caso haja falta de crédito", disse, citando que esse foi um expediente que o País já usou na crise de 2009. O ministro reiterou também que as reservas internacionais são hoje superiores ao endividamento externo do País. "Se faltar crédito em dólar no País, podemos gerar uma oferta de dólares para o mercado interno."

O ministro disse ainda que o País já cumpriu 93% da meta do superávit primário de janeiro a outubro deste ano e deve atingir a meta cheia até novembro. "A economia brasileira está muito sólida para enfrentar a crise, mesmo que ela se agrave, e o governo dispõe dos instrumentos necessários para neutralizar os efeitos negativos de forma que possamos manter um crescimento sustentável", disse.

Mantega afirmou que o País vai crescer "pouco mais de 3%" neste ano. Segundo ele, o País já está respondendo aos estímulos, cresceu mais em novembro e deve continuar nessa trajetória em dezembro, comparativamente aos meses de setembro e outubro. "A contração monetária que colocamos desde o fim de 2010, com o aumento dos compulsórios, acabou causando uma desaceleração da economia principalmente no terceiro trimestre", afirmou. "Agora, estamos na posição inversa e devemos continuar com uma política de flexibilização monetária."

De acordo com o ministro, o salário mínimo deve injetar mais de R$ 23 bilhões na economia, e somado às desonerações tributárias e aos investimentos públicos, vai ajudar o País a crescer "pelo menos 4% em 2012". "Em 2012, a economia brasileira vai se aquecer. Não é um desejo do governo, mas os efeitos das medidas que já estão sendo tomadas. Vamos crescer pelo menos 4%, se houver agravamento da crise, mas é possível alcançar 5%."

Guerra cambial

O ministro voltou a criticar a manipulação cambial promovida por países asiáticos, principalmente a China, e pelos Estados Unidos. "Os países manipulam o câmbio para ficarem competitivos, mas não é ganho de produtividade ou eficiência, é só manipulação de câmbio", afirmou. Segundo ele, essa é uma das razões pelas quais o produto brasileiro perdeu competitividade, embora o ministro tenha admitido que há algum grau de ineficiência em alguns setores. "Temos que fazer a defesa cambial e também a defesa comercial. Há muitos produtos entrando com notas subfaturadas. Os países estão desesperados, têm de exportar para continuar crescendo."

Mantega disse que é contra o protecionismo e a favor do livre mercado, mas disse que o Brasil não pode ficar "desprevenido, enquanto outros países fazem o diabo para exportar". Um dos exemplos citados por ele foi o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados. Segundo ele, essa é uma forma de garantir que as empresas instaladas no País façam mais investimentos. "O Brasil é hoje o quinto maior mercado mundial de veículos e temos de preservá-lo", afirmou. "Não há nenhuma proibição, por exemplo, para que empresas chinesas venham produzir no Brasil, ao contrário do que acontece na China. Somos um mercado totalmente aberto, mas, se quiserem desfrutar do nosso mercado, venham investir aqui, gerar empregos e pagar impostos."

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