‘Temos de reduzir gastos e melhorar a eficiência das despesas’, diz Mantega

Em palestra para investidores, ministro da Fazenda diz que manutenção da solidez fiscal é uma das condições para que o País garanta o crescimento sustentável

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

16 de fevereiro de 2011 | 19h19

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a manutenção da solidez fiscal é uma das condições necessárias para que o País garanta o crescimento sustentável nos próximos anos. Ele ressaltou que, para dar continuidade à boa gestão das contas públicas, é fundamental reverter os estímulos concedidos pelo governo a consumidores e empresas nos últimos dois anos. "Muita gente esquece que ocorreu uma crise recentemente", afirmou o ministro, referindo-se a avaliações de analistas segundo os quais o governo adotou uma postura deliberada de implementar gastos públicos. "Temos de reduzir gastos, melhorar a eficiência das nossas despesas", disse, em palestra fechada para 600 investidores, promovida pelo banco BTG Pactual na capital paulista. O áudio da palestra foi distribuído aos jornalistas nesta tarde.

O ministro afirmou, contudo, que o ajuste fiscal do governo não é "clássico", como os que pressupunham no passado redução drástica do nível de atividade. Esse tipo de ajuste, a que se referiu Mantega, foi defendido ostensivamente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) junto aos países que precisaram de auxílio financeiro da instituição nos anos 80 e 90. "Vamos melhorar o resultado fiscal - não que ele seja ruim", comentou.

O ministro alegou que o noticiário recente apresenta informações com ênfase excessiva sobre o aumento dos gastos de governo. "Pelas manchetes dos jornais, parece que há uma catástrofe fiscal", afirmou. "Vi um artigo interessante no 'Estadão' de domingo: 'Ministro gastador faz o maior corte fiscal'. Ou fiquei esquizofrênico ou caiu um tijolo na minha cabeça." Mantega disse que "o ministro da Fazenda é o mesmo, o governo é de continuidade e, portanto, não ocorreu nenhuma alteração na trajetória fiscal do Poder Executivo. "Eu fico me esgoelando, falando que o governo tem um comportamento anticíclico. Muita gente esquece que houve a crise e diz que o governo resolveu gastar."

Mantega afirmou que a política econômica atual é igual à adotada pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com combate à inflação, geração de emprego e redução constante do tamanho da dívida pública interna em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Mantega estima que o déficit nominal neste ano deve fechar em 1,8% do PIB. Ele ressaltou que a trajetória do déficit nominal será declinante e afirmou que, se não fosse a crise internacional, muito provavelmente o País teria atingido déficit nominal zero em 2010. "Por outro lado, a trajetória da líquida como proporção do PIB deve continuar caindo, pois atingiu 40,4% do PIB no ano passado e deve chegar perto de 38% neste ano."

Reclamação no G-20

Mantega afirmou ainda que na reunião do G-20 em Paris vai reclamar da política de afrouxamento quantitativo adotada pelo governo dos Estados Unidos, que já está em sua segunda fase e deve injetar um montante de US$ 600 bilhões na economia até meados deste ano. "Vou também reclamar no G-20 de alguns países da Ásia que fazem algum tipo de manipulação cambial", afirmou. "O Brasil adotou o câmbio flutuante, mas recentemente implementou medidas para se defender", destacou referindo-se à recente chamada guerra cambial, termo internacional que Mantega cunhou.

O ministro disse que o Brasil não adotou controle de capitais, mas elevou algumas alíquotas de impostos para evitar volatilidade no câmbio. Mantega frisou que um dos principais desafios da economia do País nos próximos anos é coordenar a questão cambial em harmonia com o desenvolvimento da economia, o que está relacionado inclusive com o objetivo de evitar ao máximo que empregos nas indústrias sejam afetados por causa da desvalorização do dólar ante o real.

 

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