Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

Temos de virar a página sobre investigações nos EUA, diz presidente da Embraer

Executivo não nega responsabilidade da companhia, que admitiu ter se beneficiado de um esquema de suborno em troca de contratos, mas afirma que é preciso 'olhar para a frente'

Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2016 | 14h37

O diretor-presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou nesta segunda-feira, 31, que a companhia deve "virar a página" das investigações sobre as alegações de não conformidade com o U.S. Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), e que, passado o episódio, deve "olhar para frente".

Na semana passada, a empresa aérea admitiu que funcionários pagaram propina em troca de contratos e anunciou que pagará US$ 206 milhões em punições impostas por autoridades do Brasil e dos Estados Unidos. 

"Esse é um caso 'high profile' para nós. A companhia cometeu esse erro e é responsável", disse Silva, durante teleconferência para comentar os resultados da empresa no terceiro trimestre. "Mas temos que virar a página e olhar para frente".

Uma das iniciativas nesse sentido é o plano de redução de custos em andamento, que visa a diminuição anual de custos recorrentes em US$ 200 milhões, destacou o executivo. Deste montante, entre US$ 130 e 140 milhões dizem respeito a ajustes em despesas trabalhistas, e entre US$ 60 e US$ 70 milhões referem-se à despesas com viagens e outros gastos gerais e administrativos.

Quanto à execução do projeto, a companhia informa que o plano de demissões voluntárias (PDV) lançado nos últimos meses teve adesão de quase 1.600 empregados e já é responsável por uma economia recorrente na faixa de US$ 110 milhões a US$ 120 milhões por ano. A Embraer ainda afirma que as reduções de custos têm como objetivo ofuscar eventuais dificuldades ligadas à variação cambial ou a uma maior inflação no Brasil, e que, em 2017, os orçamentos de todas as áreas serão reduzidos.

Oportunidades. No curto e médio prazo, a Embraer pretende capturar novas oportunidades para a geração de receita, sobretudo no setor de serviços. "Vemos muitas oportunidades para maior desenvolvimento nessa área", disse Silva. "Serviços providenciam receitas recorrentes e com margens ligeiramente melhores que os segmentos de aeronaves".

Na mesma teleconferência, o vice-presidente executivo Financeiro e Relações com Investidores da Embraer, José Antonio de Almeida Filippo, disse que a empresa também tem verificado um interesse crescente nos Super Tucanos, além de oportunidades para os E-Jets nos Estados Unidos e na Ásia e novos mercados para as aeronaves Legacy 450 e 500.

Tudo o que sabemos sobre:
EmbraerSilvaBrasilEstados UnidosÁsia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.