Tenho compromisso com combate intransigente à inflação, diz Altamir

Indicado a diretor do BC citou o regime de metas de inflação, câmbio flutuante e obtenção de superávits primários como o pilar desse processo 

Eduardo Rodrigues e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2011 | 11h56

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou nesta quarta-feira, 23, em sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que, se for aprovado para o cargo de diretor de Administração do BC, terá "compromisso claro com o combate intransigente à inflação". Lopes acrescentou que esse compromisso se traduz na diretriz de cumprir as metas determinadas ao BC pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), buscando sempre a convergência da inflação à meta.

Segundo Lopes, esse compromisso da autoridade monetária contribuiu de maneira decisiva para a construção da estabilidade macroeconômica no País. O indicado a diretor citou o regime de metas de inflação, câmbio flutuante e obtenção de superávits primários como o pilar desse processo. Segundo ele, esse conjunto de políticas e a reação dos agentes econômicos brasileiros provocaram modificações inéditas na estrutura econômica do País. Lopes destacou que, nos últimos dez anos, o Brasil deixou de ser devedor e se tornou credor em moeda estrangeira e ressaltou o balanço de pagamentos do País, em que predominam os investimentos estrangeiros.

Por fim, Lopes afirmou que o sucesso dessas políticas associadas a outras, que classificou como inovadoras, pode ser comprovado pela forma com a qual o Brasil superou a crise financeira internacional.

O chefe do Departamento Econômico afirmou que o BC se unirá ao esforço governamental para o uso "mais racional de seus recursos", por meio do aproveitamento máximo das possibilidades da tecnologia e pela racionalização dos processos de trabalho.

Alta dos juros tem mais efetividade

Na sabatina, Altamir destacou que o aumento do recolhimento compulsório dos bancos é uma medida que ajuda na "esterilização da liquidez", mas tem limites para ser adotada. Segundo ele, a margem que se tem livre em relação ao uso dos compulsórios para conter o aumento da inflação é pequena. "O aumento dos juros tem mais efetividade porque reflete nas expectativas e na postergação do consumo em benefício da poupança. Por isso, o aumento dos juros tem mais efetividade no controle da inflação", disse.

Conforme ele, as alíquotas do recolhimento compulsório no Brasil já são elevadas. Além disso, ele lembrou que o compulsório faz parte do cálculo do spread bancário. "O recolhimento compulsório aumenta o custo das instituições financeiras que repassam isso para o tomador final", explicou. O diretor indicado disse também que as instituições também são obrigadas a direcionar parte dos recursos, como o da poupança, para crédito imobiliário e rural. Por isso, segundo ele, o que sobre de recursos é muito pouco para novos aumentos do recolhimento compulsório.

Altamir também fez uma avaliação sobre o impacto do aumento da Selic na dívida líquida. Ele lembrou que outros fatores também contribuem para o endividamento líquido, como, por exemplo, as dívidas prefixadas, a variação do câmbio, os empréstimos do BNDES atrelados à TJLP e os índices de preços. Segundo Altamir, por exemplo, uma variação de 1% na taxa de câmbio causa, imediatamente, uma queda de R$ 4 bilhões na carga de juros da dívida brasileira. Por outro lado, a variação de um ponto porcentual da Selic por um ano representa um aumento de 0,29 ponto porcentual do PIB na carga de juros, o que significa, em valores R$ 10 bilhões.

Descompasso

O chefe do BC afirmou que o País enfrenta certo descompasso entre a oferta e a demanda, o que justifica o ciclo de aperto monetário, via aumento da taxa de juros (Selic).

Ele admitiu que parte das pressões inflacionárias vêm do setor alimentício, devido a sazonalidades e quebra de safras, mas disse que há pressões vindas de outros segmentos. "O aumento da Selic é para corrigir distorções em outros segmentos, por exemplo serviços e outros bens", afirmou.

Segundo Altamir o aumento dos preços no setor de serviços está em cerca de 7% no acumulado de 12 meses. Em resposta a uma pergunta feita pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), Altamir afirmou que o aumento da Selic não tem grande influência sobre a composição dos preços das commodities alimentícias Segundo ele, além da questão da safra para o preço das commodities, esse mercado ainda sofre "com muita especulação".

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