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Teremos volatilidade até 1º trimestre de 2008 , diz Werlang

Mentor da adoção do sistema de metas de inflação acredita que tendência do dólar é de queda

Celia Froufe e Luciana Xavier ,

08 de novembro de 2007 | 21h16

As incertezas em relação à crise do setor de crédito imobiliário de alto risco nos Estados Unidos devem continuar trazendo volatilidade aos mercados até meados do primeiro trimestre de 2008, na opinião do diretor executivo do Itaú e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang. Esse é o prazo, segundo ele, para que se possa conhecer melhor a extensão da crise. De qualquer modo, Werlang não está pessimista. Ele não espera recessão nos EUA no ano que vem - sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA está um pouco abaixo de 2% em 2008 - e acredita que tanto o Federal Reserve (Fed) como o Banco Central Europeu (BCE) já mostraram que vão atuar, se necessário, como fizeram ao emprestar dinheiro, de forma emergencial, para garantir evitar quebradeiras de bancos, em agosto. "Teremos mais volatilidade, mas os picos de preços dos ativos financeiros tendem a oscilar menos", comentou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.  Werlang diz que a crise atual só terá impacto mais significativo no Brasil se houver queda muito forte nos preços das commodities, o que, segundo ele, não é o cenário mais provável. Recentemente, os preços do petróleo, de commodities metálicas e agrícolas entraram em um ciclo de escalada de preços. Selic O dólar no patamar atual, abaixo de R$ 1,75, dá espaço para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) volte a cortar os juros em 0,25 ponto porcentual na reunião de 5 de dezembro, para 11% ao ano, mesmo tendo decidido por uma pausa em outubro, avalia o ex-diretor do BC, um dos mentores da adoção da política de metas de inflação adotadas pelo Brasil. Segundo ele, a tendência do dólar é de mais desvalorização. "É possível o dólar romper R$ 1,70 e isso podia já ter acontecido. Se acontecer, o BC pode voltar a cortar a taxa de juros em dezembro", afirma. Mesmo no patamar atual, opina, um corte da Selic já seria possível. "É o que recomendo e o que acredito que o BC irá fazer", diz.  Werlang acredita que o relaxamento monetário poderá ser mantido ao longo de 2008 e com isso a Selic chegaria "fácil" a 9,75% anuais, "se o Brasil não virar investment grade". O diretor espera que a melhora de classificação de risco do Brasil ocorra no primeiro semestre do ano que vem. Nesse caso, a Selic poderia encerrar em 9% ao ano e cair ainda mais em 2009.  O ex-diretor do BC não descarta pressões inflacionárias vindas do petróleo e outras commodities, mas não é esse o seu cenário e por conta disso, Werlang vê espaço para mais cortes da Selic. Uma alta da taxa em 2008 está totalmente fora de contexto, segundo ele. "Nem está no radar uma coisa dessas", comenta.

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