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Ternium propõe ‘cláusula de saída’ para Usiminas

Grupo ítalo-argentino quer fazer mudanças no acordo de acionistas da siderúrgica para permitir a compra da fatia da japonesa Nippon

Fernanda Guimarães, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2016 | 05h00

O grupo ítalo-argentino Ternium está conversando com a japonesa Nippon Steel para tentar resolver o litígio no bloco de controle da Usiminas, que já dura mais de dois anos. Em entrevista ao ‘Estado’, Daniel Novegil, presidente global da Ternium, disse que a proposta da empresa é incluir no acordo de acionistas da siderúrgica um mecanismo de mediação de conflitos. A ideia é propor uma “cláusula de saída”, por meio da qual um dos sócios poderá comprar a participação do outro, prevalecendo a regra do melhor preço.

Os dois sócios entraram em colisão em setembro de 2014 e, desde então, a relação entre eles azedou. Na semana passada, a Ternium recorreu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pedir que o órgão reconheça a decisão tomada em maio pelo conselho de administração do grupo e reconduza o executivo Sergio Leite à presidência da siderúrgica.

Após decisão da Justiça de Minas Gerais, Leite teve de deixar o posto em outubro. Foi substituído por e Rômel de Souza, nome indicado pela Nippon. A Ternium recorreu da decisão, que ainda não foi analisada, e deverá levar o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), caso a sentença seja pela manutenção de Souza no posto.

Segundo Novegil, desde que a Ternium ingressou no bloco de controle da siderúrgica mineira, no fim de 2011, com a compra das fatias da Votorantim e Camargo Corrêa por US$ 2,7 bilhões, a percepção era de que a Usiminas necessitava de uma gestão de longo prazo. Pelo bom relacionamento com a Nippon (os dois grupos também são sócios no México), foi acertado, à época, um acordo por consenso nas decisões da siderúrgica. No México, contudo, a Ternium é majoritária no negócio, com 51%. “A parceria no México é muito boa e de êxito para as partes”, disse.

As tentativas de acordo no Brasil, no entanto, não têm sido bem sucedidas. Ninguém quer abrir mão da Usiminas, segundo fontes. As duas partes voltarão a conversar em janeiro (não há data fechada).

Novegil é enfático ao dizer que Leite é, neste momento, o melhor nome para assumir a presidência da Usiminas. “Não acredito que a Nippon esteja agora em uma posição favorável. É do interesse dela que a Usiminas tenha o melhor CEO possível”, disse. Souza assumiu a presidência da Usiminas em outubro de 2014, quando o conselho da siderúrgica afastou do cargo Julián Eguren e outros dois diretores, que haviam sido indicados pela Ternium. Como a decisão não foi por consenso, deu origem à briga societária, a maior em curso no País.

A Ternium disse que está disposta a negociar um acordo de alternância de poder, como já propôs a Nippon, desde que a cláusula de saída seja incluída no acordo de acionistas.

Cisão. Novegil descarta, no momento, uma cisão dos negócios. No início do ano, chegou a circular a informação de que a Ternium ficaria com os ativos da Usiminas em Cubatão, enquanto os japoneses ficariam com a unidade de Ipatinga, conforme fontes de mercado.

Em abril deste ano, a CSN, do empresário Benjamin Steinbruch, maior acionista fora do bloco de controle, voltou a ter assento no conselho, por decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), complicando ainda mais a relação entre os acionistas da siderúrgica, que reestruturou suas dívidas para evitar um pedido de recuperação judicial.

No Brasil, a Ternium é ainda apontada como uma possível interessada na aquisição da Companhia Siderúrgica Do Atlântico (CSA), da alemã ThyssenKrupp. Novegil disse que o Brasil é estratégico para a expansão dos negócios da Ternium, uma vez que reforça sua posição na América Latina. No entanto, não há nenhuma aquisição, neste momento, que possa ser anunciada.

Procuradas, a Nippon e Usiminas não comentam.

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