Terremoto no Chile deve ajudar a manter os juros baixos, dizem analistas

Tremor causou a suspensão das atividades nas principais minas de cobre e danificou estradas e pontes 

Reuters,

28 de fevereiro de 2010 | 16h17

Após o forte terremoto de magnitude 8.8 que atingiu o Chile na madrugada de sábado, 27, analistas de algumas instituições comentaram as possíveis implicações do terremoto na economia chilena e nos mercados financeiros do país. O tremor causou a suspensão das atividades nas principais minas de cobre e danificou estradas e pontes. veja a seguir os depoimentos de cada um deles.

 

* Nick Chamie, diretor global de pesquisa em mercados emergentes da RBC Capital Markets, de Toronto

 

"A economia e os mercados financeiros do Chile sofrerão um impacto profundo e generalizado. No futuro imediato, um enfraquecimento agudo do peso chileno é bastante provável, com a atividade econômica prejudicada pelos efeitos do terremoto nos setores da agricultura e da indústria na região mais atingida. É provável que, no futuro próximo, o banco central mantenha a liquidez e as condições monetárias num estado de relaxamento extremo para sustentar as iniciativas do governo para estabilizar a economia e os mercados financeiros. Os esforços de reconstrução devem representar um grande custo fiscal para o governo, e também para as empresas e indivíduos. Entretanto, a sólida posição do governo, dono de reservas extensas, deve permitir que tais custos sejam absorvidos sem que isto represente um efeito significativo para a sua saúde fiscal. No longo prazo, os esforços de reconstrução devem proporcionar um incentivo para a atividade econômica, embora este se distribua ao longo de muitos anos."

 

* Alberto Ramos, economista sênior do Goldman Sachs, em Nova York

 

"Em termos de atividade econômica, isto deve criar sérias interrupções durante algumas semanas, o que deve representar um impacto sobre o PIB real do primeiro trimestre e possivelmente do segundo trimestre. Depois disso, veremos um impulso adicional à economia, ancorado no esforço de reconstrução. O peso deve sofrer efeitos moderados. O fato de o país poder trazer para o seu território parte de suas reservas ajudará na estabilização do peso. Em relação à política monetária, o banco central se encaminhava para a sua normalização em algum momento do segundo trimestre de 2010. Dependendo do impacto sofrido pela economia, eles podem manter por mais algum tempo a atual posição de estímulo.

 

No curto prazo, o varejo e a maior parte do setor de serviços sofrerão um grande impacto, e no médio prazo os setores da construção e dos materiais serão beneficiados. Felizmente, os chilenos possuem a economia mais bem administrada do hemisfério, e poderão superar esta terrível adversidade. Isto implicará num acréscimo nos gastos fiscais em 2010, decorrente do financiamento das iniciativas de reconstrução. Felizmente, a situação fiscal do país é sólida, e eles possuem reservas no exterior às quais podem recorrer para financiar o aumento nos gastos exigido."

 

* Curtis Mewbourne, administrador de portfólio para o Pimco Emerging Markets Bond Fund, em Newport Beach

 

"Os relatos iniciais não indicam danos extensos à indústria da mineração, o maior setor da economia do país, responsável por cerca de 20% do PIB e 50% das exportações. Além disso, a população chilena é principalmente urbana, e cerca de metade dela vive na grande Santiago, localizada a 320 quilômetros do epicentro do terremoto. Assim, esperamos que o impacto econômico direto do terremoto seja limitado, e o principal risco está nas consequências ainda desconhecidas dos tsunamis. Conforme a prioridade passar das necessidades humanitárias urgentes para a reconstrução, o estado sólido das finanças do governo chileno deve facilitar estas iniciativas. Continuamos a monitorar a situação no Pacífico, pois muitos outros países de mercados emergentes estão em alerta à espera de um tsunami - Indonésia e Filipinas, por exemplo."

 

(Por Jason Lange, Manuela Badawy e Jennifer Ablan)

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