Thyssen pode dar incentivos a interessados na Steel Americas

A ThyssenKrupp, maior siderúrgica da Alemanha, está considerando oferecer incentivos aos interessados em suas usinas deficitárias no Brasil e Estados Unidos, diante da expectativa de que as ofertas iniciais nesta semana sejam baixas.

ARNO SCHUETZE E MARIA SHEAHAN, Reuters

25 de setembro de 2012 | 15h28

"A Thyssen vai oferecer cooperações e garantir a compra de certos volumes de aço", disse um representante de banco que acompanha a indústria. Outra fonte afirmou que a Thyssen pode concordar em absorver perdas futuras das usinas por um certo período de tempo.

A ThyssenKrupp afirmou em maio que estava considerando todas as opções estratégicas para a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e para a usina de laminação nos EUA, incluindo parceria ou venda, para interromper as perdas nas unidades e concentrar o grupo de volta em seus negócios europeus.

O presidente-executivo da Thyssen, Heinrich Hiesinger, quer vender as usinas separadamente por pelo menos 7 bilhões de euros (9,2 bilhões de dólares), valor contábil das unidades.

Apesar desse valor estar bem abaixo do investimento realizado de perto de 12 bilhões de euros, representantes de bancos de investimento e analistas esperam que a Thyssen fique decepcionada pelas ofertas indicativas que podem ser apresentadas nesta semana. Isso por causa do cenário de curto prazo de crise do setor de aços planos que pode limitar o tamanho das propostas.

"É muito difícil colocar um valor em um negócio que está perdendo 1 bilhão de euros por ano... O preço será definido pelo modelo de negócios que alguém pode criar para essas usinas", disse um representante de banco de investimento dos Estados Unidos que pediu para não ser identificado.

Vários colegas dele afirmaram considerar que os ativos sejam avaliados entre 3 bilhões e 4 bilhões de euros. Analistas do UBS se mostram ainda mais pessimistas, afirmando que veem valor de apenas 3 bilhões de euros para a Steel Americas, unidade que reúne a CSA e a usina laminadora no Alabama.

A Thyssen informou anteriormente que numa etapa inicial atraiu interesse de mais de 10 potenciais ofertantes.

Segundo vários executivos de bancos de investimento, as ofertas indicativas devem ser entregues até 28 de setembro. A Thyssen, que não divulgou publicamente qualquer prazo ou disse com quem estava negociando, não confirmou a data.

De acordo com representantes do setor bancário envolvidos no processo, potenciais ofertantes incluem ArcelorMittal, US Steel, Posco, Nippon Steel e Baosteel.

Outros nomes mencionados incluem JFE, Nucor e AK Steel e brasileiras como CSN ou Usiminas.

É improvável que qualquer uma dessas empresas faça uma oferta sozinha, mas nenhum consórcio foi formado ainda, disse um profissional de banco de investimento. As ofertas finais devem ocorrer entre 6 a 8 semanas após o prazo para o recebimento das propostas indicativas, segundo duas pessoas com conhecimento da transação.

A Thyssen está sendo assessorada por Goldman Sachs e Morgan Stanley, que tentarão reunir pelo menos 2 a 3 interessados para elevar o preço.

ATIVOS BRASILEIROS

Uma venda da CSA é complicada pelo fato de que a usina é uma parceria da Thyssen com a Vale, que controla 27 por cento da siderúrgica.

A Vale disse por várias vezes que não está interessada em comprar a participação da Thyssen sozinha, mas avalia-se que a mineradora participe de qualquer negociação.

A sul-coreana Posco, que já tem uma participação na Companhia Siderúrgica do Pecém, afirmou anteriormente que estava estudando a CSA.

Enquanto isso, usinas brasileiras podem tentar superar rivais asiáticas e CSN e Usiminas são vistas nas lista de possíveis interessadas na CSA.

"Da parte dos interessados brasileiros, trata-se de assegurar um relacionamento de fornecimento (de aço) com a Thyssen", disse um profissional de banco de investimento.

O jornal Valor publicou nesta terça-feira que a CSN teria contratado o Bradesco BBI para assessorá-la em uma eventual oferta . A CSN não comentou o assunto.

A Steel Americas como um todo sofreu prejuízo ajustado antes de juros e impostos de 778 milhões de euros nos nove meses até junho, depois de apurar perda de pouco mais de 1 bilhão de euros no ano anterior.

Isso impõe à Thyssen o que um representante de banco de investimento que trabalha para um dos interessados chamou de "posição fraca de negociação", uma vez que os possíveis compradores podem decidir esperar por uma queda de preço.

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