TIM tenta compensar perdas resultantes de tarifa de interconexão

Aumento do tráfego de voz e dados e queda dos preços de capacidade de rede no atacado são as saídas defendidas pelo presidente da empresa

Karla Mendes, da Agência Estado,

26 de outubro de 2010 | 18h32

O aumento do tráfego de voz e dados nas redes das operadoras e a queda dos preços de capacidade de rede no atacado são as únicas alternativas para as empresas de telefonia móvel tentarem compensar as perdas resultantes da tarifa de interconexão, defendeu nesta terça-feira, 26, o presidente da TIM, Luca Luciani, na Futurecom. "A única possibilidade que as móveis têm é aumentar a componente de tráfego gerado. Se as teles não têm condições de financiar os investimentos pesados que precisam (fazer) para desenvolver a banda larga móvel, vai parar o crescimento (do mercado) do País", afirmou. Luciani defendeu também a redução dos preços no atacado, como forma de não comprometer o equilíbrio econômico-financeiro das empresas.

Recentemente, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a redução de 10% em 2011 e 10% em 2012 dos Valores de Comunicação (VC), que são as tarifas de ligações de telefones fixos para celulares e vice-versa, local e longa distância. Na prática, o objetivo da Anatel é reduzir também as tarifas de interconexão (VU-M), que são os valores que vigoram para ligações entre celulares e de livre pactuação entre as empresas, pois o VC serve de referência para a fixação de preços do VU-M.

Fontes do mercado estimam que as operadoras deixarão de arrecadar cerca de R$ 1,7 bilhão, o que pode provocar aumento de preços. A TIM, sozinha, perderá R$ 390 milhões, levando em conta a receita da empresa com VU-M em 2009. Luciani admite que a perda é significativa, mas observou que é possível encontrar uma solução para equalizar essa conta.

Segundo ele, está em discussão na Anatel a proposta de redução de 15% nos preços do atacado, resultado da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da semana passada, que apontou a necessidade de aumentar a competição nesse segmento, no julgamento do processo de aquisição da Brasil Telecom (BrT) pela Oi. O executivo destacou que o porcentual, que está sendo debatido para ser implementado em 2011, ainda tem um "gap negativo", mas já indica um caminho para a redução dos custos. "O VU-M é um tema do setor. O preço tende a ser reduzido, inclusive o da linha alugada. Se, por um lado, tem redução de 10% na VU-M e redução de 15% na linha alugada, como se está debatendo, é uma forma de reconstruir um equilíbrio econômico geral", ponderou Luciani.

O executivo observou que os custos de uma linha alugada são de pelo menos R$ 2 mil, podendo chegar a R$ 5 mil, um crescimento de 50% nos últimos três anos. Luciani destacou que na Europa, por exemplo, o custo é cerca de 55% mais baixo. "Assim não tem como oferecer a banda larga de forma massiva em todo o País", comparou. O executivo acredita que a entrada da Telebrás no mercado, que venderá capacidade no atacado, ajudará a pressionar os preços para baixo, em consequência do aumento da oferta.

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