Tolmasquim critica tarifa de energia cara e convoca discussão

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, criticou nesta quarta-feira as elevadas tarifas de energia no país e afirmou que é preciso reverter a situação em uma ampla discussão no Congresso Nacional.

REUTERS

29 de setembro de 2010 | 12h17

"No Brasil tem encargos e impostos que fazem a tarifa ser extremamente elevada, é uma questão que a gente tem que reverter", disse Tolmasquim para uma plateia lotada no 7o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase).

Segundo ele, todo o ganho de competitividade que o Brasil tem por gerar energia hidrelétrica é perdido pelo pagamento de impostos como ICMS.

"Isso tem que ser mudado, isso é uma questão difícil porque embarca a questão dos Estados, tem a ver com ICMS, tem que achar outra fonte de recursos para substituir (o ICMS), e é claro que tem que ser discutido com o Congresso", observou.

Segundo ele, os brasileiros não estariam se beneficiando do decrescente custo da geração elétrica trazida pelos sistemas de leilão por modicidade tarifária, sistema pelo qual ganha a concessão da usina em leilão quem oferecer a menor tarifa ao consumidor.

"É uma questão que a gente tem que reverter, se você pegar uma tarifa industrial na Europa, quase não tem imposto, mas para a indústria no Brasil tem um imposto muito grande", informou.

"Não me parece ser razoável nem eficiente abrir mão dessa vantagem comparativa para arrecadar em cima da eletricidade", insistiu o executivo.

Fazendo um balanço do governo atual, Tolmasquim ressaltou que o próximo mandatário do país encontrará um sistema energético de muita tranquilidade com condições de suportar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno dos 7 por cento, como vem sendo previsto por economistas.

"Existe muita tranquilidade para os próximos quatro anos, seja o governo que vier, esse lado já está resolvido", disse Tolmasquim, informando que se o crescimento econômico for menor, de cerca de 5 por cento, haverá uma sobra de 6 mil megawatts na geração.

Segundo Tolmasquim, no período Lula (2003-2010) o Sistema Nacional Interligado ganhou mais 35 mil megawatts de capacidade instalada na geração e mais 27 mil quilômetros de linhas de transmissão, elevando para 95 mil quilômetros a capacidade instalada de transmissão do país.

Para os próximos 10 anos, Tolmasquim estimou que a capacidade do SIN pulará dos 103 mil megawatts para 167 mil megawatts.

"A hidroeletricidade vai perder um pouco de participação, mas porque outras energias renováveis estão crescendo na matriz energética", disse, destacando as energias eólicas e a biomassa a partir da cana-de-açúcar.

(Por Denise Luna)

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