Tolmasquim prevê que projetos eólicos ficarão prontos antes de 2016

O presidente da EPE destacou, no entanto, que problema de fornecimento do País não será resolvido apenas com o desenvolvimento desse tipo de energia

André Magnabosco e Luciana Collet, da Agência Estado,

20 de dezembro de 2011 | 17h21

SÃO PAULO - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, acredita que os projetos eólicos incluídos no leilão A-5 devem ficar prontos antes do prazo. A concorrência realizada nesta terça-feira, 20, prevê a entrega de energia elétrica a partir de janeiro de 2016. "A eólica é uma fonte que fica pronta em dois anos, por isso muito provavelmente os projetos ficarão prontos antes", projetou. "O problema maior é fazer a rede de transmissão", complementou.

O leilão de energia proveniente de 39 projetos eólicos no último certame de 2011 foi comemorado por Tolmasquim, uma vez que a energia eólica é complementar à oferta de energia hidrelétrica. O executivo, entretanto, fez questão de destacar que a participação de projetos eólicos deve ser analisada com ressalvas. "Não podemos achar que a conseguiremos resolver (a questão de fornecimento de energia do País) só com eólica. Em algum momento vamos precisar entrar com usinas de base", afirmou, referindo-se a projetos hidrelétricos e térmicos.

O leilão realizado hoje negociou 555,2 MW médios, atendendo a 100% da demanda das concessionárias de distribuição para 2016, informou a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE). Do volume total, cerca de 80%, ou 452,4 MW médios, são provenientes de projetos eólicos, num total de 39 usinas.

Duas térmicas a biomassa também comercializaram energia no leilão, respondendo por 3,8% da energia negociada, ou 21 MW médios. Os 81,8 MW médios restantes são provenientes da Usina Hidrelétrica São Roque, projeto que também ofertado no leilão e ficou nas mãos da Desenvix. "Houve uma boa distribuição geográfica, mas mais importante, toda a demanda foi atendida", destacou o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, em apresentação à imprensa, após a conclusão do leilão.

Considerando a capacidade instalada dos projetos cuja energia foi negociada no leilão, o que corresponde a 1.211,5 MW, cerca de 70% (856,9 MW) se referem a projetos localizados no Nordeste, enquanto Sudeste e Centro-Oeste terão 50 MW cada e o Sul ficará com 247 MW.

No que diz respeito aos investimentos, do total de R$ 4,334 bilhões previstos, R$ 3,039 bilhões irão para o Nordeste, outros R$ 149,1 milhões irão para a térmica à biomassa em Goiás, R$ 418,7 milhões são destinados a projetos eólicos no Rio Grande do Sul e os R$ 674 milhões restantes devem ser direcionados à hidrelétrica São Roque. A térmica à biomassa localizada em São Paulo e que também comercializou energia no leilão não possui investimentos previstos.

O leilão desta terça-feira não contou com a presença de projetos térmicos, devido à inexistência de oferta de gás natural para tais projetos, e apenas um projeto hidrelétrico teve energia leiloada (São Roque). O complexo hidrelétrico de Parnaíba não teve energia leiloada. A explicação para isso, segundo Tolmasquim, é a própria característica do projeto. "(As usinas) do complexo Parnaíba não são, do ponto de vista energético, as melhores usinas que nós temos", ressaltou. Duas das três usinas do complexo já haviam sido leiloadas no ano passado e também não haviam atraído investidores.

Tolmasquim explicou que o número de pessoas afetadas no Parnaíba é, em termos de potencial de energia gerada,equivalente ao do projeto de Belo Monte, "que é muito maior", disse. Apesar disso, o presidente da EPE evitou descartar a inclusão do complexo em novas concorrências. "Em termos energéticos, puramente, há outras usinas mais interessantes, Mas isso não quer dizer que a gente deva descartá-la sem uma análise mais profunda".

Apesar do novo fracasso acerca do complexo Parnaíba, o saldo do leilão foi positivo, segundo o presidente da Comissão Especial de Licitação (CEL), vinculada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Márzio de Moura. "Estamos satisfeitos com o resultado do leilão e vamos continuar o caminho desse modelo, que está se consolidando e o qual consideramos mais adequado", afirmou. "Estamos contratando energia para 2016, o que nos traz bastante tranquilidade", complementou Tolmasquim.

Gás

 

Tolmasquim afirmou também que o retorno da participação das térmicas a gás nos leilões de energia "é uma questão de tempo". "Tem questões de estações de GNL (gás natural liquefeito) que eventualmente sendo construídas vão solucionar essa questão de gás", disse.

Um número significativo de usinas térmicas a gás natural haviam se inscrito para participar da licitação de hoje, mas esses empreendimentos não foram habilitados por causa da ausência de contratos de fornecimento de gás. A Petrobras, que seria a fornecedora dos insumos para os projetos, disse que não os forneceria porque ainda não sabia qual seria a disponibilidade de gás para o período de duração dos contratos, com prazo de 20 anos. "Não cabe a mim dizer quando (as térmicas vão voltar aos leilões). A Petrobras é que tem que dizer. Conversamos com Petrobras e achamos que em algum momento teremos essa térmica à gás de volta, e acho que não vai demorar muito", disse.

Tolmasquim acrescentou que o fornecimento de gás também pode vir de outros agentes. Ele citou projeto térmico que recentemente conseguiu vender energia em leilão e que tinha fornecimento próprio de gás, em uma referência à térmica da MPX, que tem gás fornecido pela OGX. "E além desse tem outros (fornecedores de gás) que são sócios da Petrobras inclusive em poços que são tem gás."

Ele também indicou a possibilidade de algum agente construir uma estação de GNL. "Estamos em uma situação em que as termelétricas que temos no sistema permitem dar a complementação (à matriz hídrica) que a gente precisa. Não é um ou dois anos que cria problema", completou. 

Tolmasquim afirmou ainda o que o retorno da participação das térmicas a gás nos leilões de energia "é uma questão de tempo". "Tem questões de estações de GNL (gás natural liquefeito) que eventualmente sendo construídas vão solucionar essa questão de gás", afirmou a jornalistas ao comentar os resultados do leilão de energia nova (A-5), realizado hoje.

Um número significativo de usinas térmicas a gás natural haviam se inscrito para participar da licitação de hoje, mas esses empreendimentos não foram habilitados por causa da ausência de contratos de fornecimento de gás. A Petrobras, que seria a fornecedora dos insumos para os projetos, disse que não os forneceria porque ainda não sabia qual seria a disponibilidade de gás para o período de duração dos contratos, com prazo de 20 anos. "Não cabe a mim dizer quando (as térmicas vão voltar aos leilões). A Petrobras é que tem que dizer. Conversamos com Petrobras e achamos que em algum momento teremos essa térmica à gás de volta, e acho que não vai demorar muito", disse.

Tolmasquim acrescentou que o fornecimento de gás também pode vir de outros agentes. Ele citou projeto térmico que recentemente conseguiu vender energia em leilão e que tinha fornecimento próprio de gás, em uma referência à térmica da MPX, que tem gás fornecido pela OGX. "E além desse tem outros (fornecedores de gás) que são sócios da Petrobras inclusive em poços que são tem gás."

Ele também indicou a possibilidade de algum agente construir uma estação de GNL. "Estamos em uma situação em que as termelétricas que temos no sistema permitem dar a complementação (à matriz hídrica) que a gente precisa. Não é um ou dois anos que cria problema", completou.

Hidrelétrica São Manoel

Tolmasquim ainda disse que a usina hidrelétrica São Manoel, localizada no Rio Teles Pires, deverá ser incluída em leilão a ser realizado ainda no primeiro semestre do ano que vem. Além desse projeto, o executivo espera incluir as usinas hidrelétricas de Sinop e de Cachoeira Caldeirão em concorrências em 2012. "(Os três projetos) são o rescaldo do que deveria ter entrado e que não entrou", afirmou.

A inclusão de São Manoel em leilões foi postergada devido a impasses envolvendo o projeto, inclusive a concessão de liminares que impediram a realização de audiências públicas. "A liminar foi cassada e com isso esperamos realizar a audiência pública no início de 2012", revelou, após lembrar impasses com comunidades indígenas locais. Outros projetos hidrelétricos também podem ser incluídos em leilões a serem realizados ao longo de 2012, segundo o executivo.

Questionado a respeito de projetos no complexo do Tapajós, Tolmasquim afirmou que o cronograma é um pouco mais amplo. "Tapajós deve ficar para o final de 2013. Para 2013 não dá mais tempo", disse.

Texto atualizado às 18h28

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