Tom Hanks homenageia máquina de escrever com aplicativo

Ator tem mais de 200 máquinas de escrever em sua coleção e lançou aplicativo para todos os que sentem saudades da datilografia

Marco della Cava, USA Today

14 de agosto de 2014 | 16h02

 

Tom Hanks acaba de lançar um aplicativo. É isso mesmo que você leu: não um filme, mas um aplicativo. Seu nome é Hanx Writer, e o programa é a confirmação tecnológica de uma grave doença que aflige o pobre homem. Este mal pode ser chamado de máquina-de-escreverite.

O Hanx Writer transforma seu iPad numa máquina de escrever manual à moda antiga, imitando o ruído do metal pressionando o papel e o toque-seguido-de-reco que soa ao final de cada linha. O aplicativo é gratuito na App Store da Apple, mas fontes e sons adicionais de máquina de escrever custam US$ 2,99 cada.

Aqueles que não entenderam muito bem a ideia do aplicativo podem perguntar aos pais ou avós a respeito das corpulentas prensas portáteis de tipos móveis que um dia dominaram as escrivaninhas. Ou perguntem a Hanks. O homem é obcecado por elas.

“O que agrada minhas sensibilidades é quando temos o retorno da tecla sendo ativada, algo que ajuda a pensar com clareza”, disse o ator, destacando que sua coleção de máquinas de escrever já chegou a 200 modelos. Ninguém imagina o que Rita Wilson, mulher dele, achava disso.

“Imagino que algumas das pessoas interessadas no aplicativo procurem apenas um som diferente, mas o programa foi desenvolvido para aqueles que esperam uma experiência mais personalizada ao escrever num iPad”, diz ele. “Há também a oportunidade de levar o iPad a um café e irritar a todos os presentes com o barulho das teclas.”

Hanks diz usar a máquina de escrever diariamente, em geral para redigir bilhetes a amigos ou fazer comentários num roteiro. Ele adora as características inerentes a cada modelo de máquina e suas diferentes fontes tipográficas e trejeitos, seja numa Hermes 2000 ou numa Brother De Luxe 895.

Os próprios nomes evocam nostalgia, como o de seu modelo favorito de meados do século, Smith Corona Skywriter, cujo tamanho compacto e funcionamento silencioso foram desenvolvidos pensando nos repórteres preparando matérias durante voos.

Hanks logo acrescenta que sua ideia para o Hanx Writer não era criar um brinquedo, e sim uma ferramenta funcional. Assim, há uma tecla ‘apagar' e a função de corretor automático, além do recurso de encaminhar a obra de arte criada.

O designer do aplicativo, Stuart Westphal, da Hitcents, equipe responsável pelo jogo Draw A Stickman, disse que as orientações dadas pelo ganhador de dois oscars foram simples.

“Basicamente, ele pediu para não complicarmos muito, e também que o programa funcionasse com teclados Bluetooth, produzindo então o efeito completo da página em branco sendo lentamente preenchida com letras pretas”, diz Westphal, destacando que a parceria com Hanks foi estabelecida por meio de um elo com a Creative Artists Agency, de Los Angeles. “Tom queria que as pessoas usassem o programa para escrever com calma um poema ou um roteiro.”

Ao ser indagado se imagina o público voltando a se apaixonar pelas máquinas de escrever, o ator que começou a carreira nos espetáculos de comédia não resiste a uma piada.

“Bem, acho que o governo alemão acaba de declarar que vai voltar a usar máquinas de escrever, para assim evitar a vigilância eletrônica dos americanos”, disse ele, rindo. “Na verdade, o Hanx Writer é meu presente para os futuros hipsters luditas do mundo.”

Tradução de Augusto Calil

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