Toyota amarga pior crise em 71 anos com perdas de US$ 1,7 bi

Apesar das perdas na venda de veículos, emrpesa prevê lucro líquido de US$ 556 milhões neste ano

Ewerthon Tobace, da BBC, BBC

22 de dezembro de 2008 | 09h45

A Toyota, o maior fabricante de carros do Japão, anunciou nesta segunda-feira, 22, que atravessa sua pior crise dos últimos 71 anos e deverá ter perdas no valor de 150 bilhões de ienes (cerca de US$ 1,7 bilhão) até o final do ano fiscal, que termina em março de 2009, por conta da situação econômica global. "A situação que vivemos é cada vez mais complicada e difícil", afirmou o presidente da empresa, Katsuaki Watanabe, à imprensa japonesa. "É uma situação de urgência sem precedentes", emendou. Se as previsões da Toyota estiverem corretas, esta será a primeira vez, desde 1940, que as contas da empresa ficarão no vermelho.   Veja também:  China reduz juro básico e alíquota do compulsório Banco Central Europeu não seguirá juro zero norte-americano Governos precisam gastar mais no combate à crise, diz FMI Japão aprova recursos extras de auxílio à economia de US$54 bi Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    No entanto, apesar das perdas na atividade de venda de veículos, a Toyota prevê um lucro líquido de 50 bilhões de ienes (US$ 556 milhões) neste ano fiscal. O valor representa 91% a menos do que o previsto no primeiro semestre deste ano. Como comparação, em 2007, a empresa teve 2,27 trilhões de ienes (perto de US$ 25,2 bilhões) de lucro por operações e 1,72 trilhão de ienes (US$ 16,4 bilhões) de lucro líquido. A forte valorização do iene frente ao dólar e ao euro, além das quedas consecutivas nas exportações, foram os principais responsáveis pelo impacto negativo nas contas da mega-indústria.   Queda nas vendas   Mas não é só a Toyota que vive um pesadelo. As principais fabricantes de veículos japonesas sofrem com a crise. Segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis do Japão (JAMA, na sigla em inglês), as vendas de veículos novos no país deverão cair mais ainda em 2009. A expectativa é de que o número chegue a 4,86 milhões de unidades, ficando abaixo dos 5 milhões pela primeira vez desde 1978.   A JAMA calcula que a redução das vendas de carros de passeio, caminhões, ônibus e miniveículos em 2009 marcará o quinto ano consecutivo de queda. Este será, talvez, o nível mais baixo dos últimos 31 anos. "O panorama de vendas para o ano que vem é sombrio", lamenta o presidente da JAMA, Satoshi Aoki, citado pela agência de notícias Kyodo.   Queda nas exportações   Além da indústria automotiva, outros setores também amargam perdas no Japão. Em novembro, o país registrou um novo déficit na balança comercial no valor de 223 bilhões de ienes (US$ 2,4 bilhões). Este foi o segundo mês consecutivo de déficit, gerado por causa da violenta queda nas exportações para Estados Unidos, Europa e China, informou o Ministério das Finanças.   As exportações caíram 26,7% em novembro na comparação anual. Segundo o relatório, foi uma das piores baixas já registradas. Já as importações recuaram 14,4%. Nos últimos anos o Japão vinha registrando superávit na balança comercial. Porém, em 2008, por causa da crise econômica, o país já registrou déficit comercial em janeiro, em agosto e agora em outubro.

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