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Toyota anuncia fechamento de fábrica histórica, que já produziu o jipe Bandeirante

Unidade do ABC paulista, que hoje faz peças, será desativada aos poucos, a partir de dezembro; atividades serão transferidas a outras plantas de SP e empresa diz que oferecerá oportunidade de mudança aos 550 trabalhadores

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2022 | 16h18

A Toyota do Brasil anunciou na tarde de desta terça-feira, 5, que vai fechar sua fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e transferir as operações para as unidades de Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz, no interior de São Paulo.

A planta mais antiga do grupo – e a primeira da montadora fora do Japão – foi inaugurada em 1962 para a produção do icônico jipe Bandeirante, modelo que ficou em linha por quase 40 anos. Hoje produz componentes para veículos das outras unidades brasileiras e para exportação à Argentina e Estados Unidos.

Dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC dizem que foram pegos de surpresa com uma carta enviada pela Toyota no início da tarde. Foram então para os portões da fábrica conversar com os 550 trabalhadores. Amanhã será realizada, às 6h, uma assembleia para definir ações na tentativa de reverter a decisão. 

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, também foi informado da mudança nesta terça-feira e lamentou o fato. Ele afirma que vai procurar o presidente da montadora no Brasil, Rafael Chang, também para tentar convencer o grupo a permanecer na cidade. No fim de 2019 o município perdeu a fábrica da Ford e no local está sendo construído um centro de logística.

A Toyota informa que a mudança será feita de forma gradual a partir de dezembro, com conclusão prevista para novembro de 2023. Os funcionários que quiserem poderão ser transferidos para as outras unidades do grupo. Ao final do processo a área será vendida.

Segundo a Toyota, a transferência visa maior sinergia entre suas unidades produtivas e faz parte de um plano de busca por mais competitividade frente aos desafios do mercado brasileiro e da sustentabilidade dos negócios no País, além de responder às rápidas mudanças do ambiente externo.

A empresa afirma que testou diversas possibilidades, no entanto a mais viável foi o fechamento. “A transferência é necessária para aumentar nossa competitividade; concentrando a produção em três plantas produtivas otimizaremos a infraestrutura, mantendo nossos níveis de produção e de mão de obra”, assinala.

CENTRO DE PESQUISA

Após a inauguração das outras fábricas de automóveis em Indaiatuba (1998), Sorocaba (2012) e a de motores em Porto Feliz (2016) houve especulações sobre o destino da unidade do ABC, mas o grupo sempre afirmava que ela seria mantida.

Há cinco anos, a Toyota instalou no local seu o primeiro Centro de Pesquisa Aplicada na América Latina. Só havia estruturas desse tipo no Japão, EUA, Europa e Tailândia.

O objetivo era realizar, sem depender da matriz, modificações nos carros fabricados no País, criar edições especiais, avaliar novos materiais e, no futuro, talvez até desenvolver carros para a região, conforme diziam executivos na época.

Pouco antes, a empresa havia transferido sua sede administrativa de São Paulo para o ABC, de onde foi de novo transferida para Sorocaba, em 2020. Nos últimos anos foram investidos R$ 2 bilhões nas outras fábricas, além de mais R$ 50 milhões anunciados na semana passada para a renovação do Corolla, feito em Indaiatuba.

Dirigentes do sindicato afirmam a decisão é injustificável e que, em todas as reuniões com a entidade sempre afirmaram que a unidde não seria fechada e que havia planos para a unidade. 

 

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