Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Trabalhadores do setor naval organizam passeata após anúncio de venda de ativos da Petrobrás

Passeata deve ocorrer nesta quarta-feira; manifestantes querem ser recebidos pelo novo presidente da estatal para debater sobre o programa de venda de ativos da empresa

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2015 | 12h51

RIO - Cerca de 7 mil trabalhadores metalúrgicos que atuam no setor naval vão promover uma passeata nesta quarta-feira, 4, do município de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, até a sede da Petrobrás, no Centro do Rio. Eles querem ser recebidos pelo novo presidente da estatal, Aldemir Bendine, para debater sobre o programa de venda de ativos

O ato está sendo liderado pelos sindicatos dos metalúrgicos do Rio, Niterói e Angra dos Reis (RJ), que representam trabalhadores de 11 empresas fornecedoras para a Petrobrás, na construção de navios e plataformas. 

O principal receio dos sindicatos é que a Transpetro, empresa de logística da petroleira, seja incluída no plano de desinvestimento, e, com isso, o projeto de construção de navios seja paralisado, desempregando os trabalhadores da indústria naval. "Não queremos voltar à década de 90, de falência do setor naval. O que está em questão é o investimento que os trabalhadores fizeram em suas vidas, estudando, se preparando para o mercado. Se o setor naval paralisar, vai desempregar cerca de 160 mil trabalhadores, mais 20 mil envolvidos na produção de insumos", ressalta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica de Niterói e Itaboraí, Edson Rocha.

Ele reclama da falta de diálogo com a atual diretoria da Petrobrás. "A gente estava acostumado com uma Petrobrás que ouvia o trabalhador antes de tomar decisões que possam comprometer empregos. Com a entrada da nova diretoria, pararam de nos ouvir e começaram a tomar decisões unilateralmente. A passeata é para tentar ser ouvido pela nova direção", afirmou Rocha. Ele complementou que os empregados do setor naval foram surpreendidos com a notícia de que a Petrobrás vai vender US$ 13,7 bilhões em ativos, neste e no próximo ano. 

Rocha contabiliza a extinção de 7 mil empregos no setor naval desde o início das investigações da Polícia Federal, na Operação Lava Jato. A mais recente preocupação é com a manutenção das vagas de trabalho no consórcio Integra Offshore, uma parceria da OSX com a construtora Mendes Júnior, contratado pela Petrobrás para construir módulos e integrar as plataformas P-67 e P-70. A OSX está em processo de recuperação judicial enquanto a Mendes Júnior vem passando por dificuldades financeiras desde que passou a ser investigada pela Polícia Federal, por uma suposta participação em um esquema de corrupção na estatal. 

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