Trabalhadores enviam carta ao governo sobre demissões da Marfrig no RS

Segundo federação, foram mais de 800 desligamentos que têm refletido na precarização do trabalho para quem continua no emprego 

Suzana Inhesta, da Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 18h48

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado do Rio Grande do Sul (FTIA-RS) informou que enviou uma carta ontem ao Conselho Administrativo do Programa Agregar-RS Carnes, gerenciado pela Secretaria da Agricultura do Estado, repudiando as demissões recentes promovidas pela Marfrig na região.

O Programa Agregar-RS Carnes prevê estímulo ao abate de bovinos, bubalinos e ovinos sob inspeção oficial em frigoríficos credenciados, por meio de incentivos de isenções e créditos fiscais presumidos. É considerado um programa de co-responsabilidade, porque impõe metas para o setor público e privado. No documento enviado ao conselho, a FTIA afirma que a Marfrig está tomando atitudes próprias, sem buscas nenhuma alternativa às demissões. Segundo a entidade, as demissões superam 800 desligamentos nos municípios de São Gabriel, Capão do Leão, Alegrete e Bagé, com projeção de mais corte ainda neste ano. E que aos que continuam trabalhando, as medidas refletem na precarização do trabalho, com sobrecarga de atividades.

"Diante dessa situação, o sentimento que predomina entre os trabalhadores e suas entidades representativas é de surpresa e indignação", diz a FTIA, em nota enviada à imprensa. "Atitudes como essa mostram que o único objetivo da empresa é o lucro e isso é incompatível com quem recebe incentivos públicos e tem em seu discurso um projeto de inserção social", declara a entidade, que ainda cita que as demissões podem ser interpretadas como estratégia de imposição de preços.

A FTIA ainda informou que, por meio de representantes no Conselho Administrativo do Agregar-RS Carnes, irá "acatar e se posicionar favoravelmente a qualquer decisão que seja tomada pelos sindicatos responsáveis pela concessão da carta de anuência ao Marfrig, o que poderá implicar na sua desabilitação junto ao programa e consequente perda de benefícios."

Procurada pela Agência Estado, a Marfrig explicou, por meio de comunicado, que reestruturou sua plataforma de produção de carne bovina no Rio Grande do Sul, composta por oito unidades industriais e de distribuição entre maio e julho desde ano, que somou 850 demissões.

O objetivo, segundo a empresa, foi "adequar o complexo à atual conjuntura de mercado, que tem uma baixa disponibilidade de gado na região - que leva à suspensão de turnos de produção e inviabiliza, por exemplo, o fornecimento a partir da região para mercados específicos como Irã e Rússia - e o câmbio desfavorável." A Marfrig ainda disse que, assim que tais fatores de mercado estiverem estabilizados "em patamares economicamente viáveis", as operações na região Sul retomarão o seu ritmo normal e a capacidade plena de produção.

No total, o grupo possui 9.302 funcionários no Estado e além de bovinos, possui outras 14 unidades industriais, de distribuição e complexos de produção de matrizes Seara. Além disso, 905 produtores gaúchos fazem parte da cadeia de produtores integrados de aves e suínos da Seara.

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