Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Cerca de 350 mil trabalhadores usaram recursos do FGTS na oferta da Eletrobras, dizem fontes

Embora governo tenha estabelecido teto de R$ 6 bilhões para investimento, demanda foi 50% superior e chegou a R$ 9 bi

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2022 | 19h49

Cerca de 350 mil trabalhadores utilizaram parte de seu saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para participar da oferta de ações da Eletrobras, transação que levará à sua privatização, apurou o Estadão. Ao todo, esse grupo fez reservas para compra de ações que somaram aproximadamente R$ 9 bilhões, acima do teto imposto pelas regras da oferta, de R$ 6 bilhões.

Essa é a primeira vez que os recursos do FGTS podem ser utilizados para compra de ações desde a megacapitalização da Petrobras, em 2010. Como a demanda foi maior do que esse limite, é esperado que os investidores não recebam o total de ações que inicialmente reservaram. O investidor que fez uso de seu FGTS para entrar na oferta não poderá se desfazer do investimento por um prazo de no mínimo 12 meses, exceto em alguns casos, como demissão.

Segundo analistas, a alta demanda pelas ações da companhia, mesmo em um ambiente global de maior aversão ao risco, se deve às apostas de ganhos com a valorização das ações após a privatização, com maior ganho de eficiência por parte da companhia.

Ao fim da oferta na Bolsa brasileira a União terá sua participação caindo para abaixo de 50%, ou seja, deixará de ser a controladora. A previsão é de que a fatia que hoje pertence ao governo, somando União e BNDES, vá dos atuais 60% para cerca de 33%, de acordo com o prospecto da oferta. 

O modelo da privatização é o mesmo do que foi utilizado pela antiga BR Distribuidora, hoje Vibra.

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