Trabalhadores param construção da usina de Belo Monte

Cerca de 3 mil trabalhadores, ou 47% da força de trabalho, realizam paralisação; três principais obras de novas hidrelétricas do País enfrentam greves

Luciana Collet, da Agência Estado,

29 de março de 2012 | 17h12

Operários que trabalham na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte iniciaram na quarta-feira uma paralisação. Segundo o Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), responsável pelas obras, o movimento foi iniciado na manhã de quarta-feira, no sítio Pimental, uma das cinco frentes de obras do projeto, e nesta quinta-feira atingiu o sítio Belo Monte. Cerca de 3 mil trabalhadores, ou 47% da força de trabalho que atualmente trabalha na construção, estão alocados nesses dois canteiros. O sítio Canal e Diques e as unidades "Infraestrutura" e "Portos e Acessos" seguem em operação, segundo o consórcio.

O CCBM informou que ainda aguarda a pauta de reivindicações dos trabalhadores, prevista para esta quinta-feira e amanhã. Procurado, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará (Sintrapav) confirmou a mobilização, mas nenhum dirigente da entidade estava disponível para comentar sobre o movimento ou revelar quais são as reivindicações.

Agora, as três principais obras de novas hidrelétricas do País enfrentam paralisações. Nas usinas Jirau e Santo Antonio, que estão sendo construídas no Rio Madeira, em Rondônia, os trabalhadores também estão mobilizados e reivindicam aumento salarial e mais dias de folga. O movimento foi iniciado em Jirau, onde a ação começou em 8 de fevereiro. Já em Santo Antonio, aproximadamente 15 mil trabalhadores estão parados desde o dia 20.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) declarou liminarmente ilegal e abusiva a greve nas usinas do Rio Madeira e estipulou multa diária de R$ 200 mil pelo descumprimento da decisão. Os trabalhadores, no entanto, não aceitaram encerrar a paralisação. Estava marcada para a tarde desta quinta-feira uma audiência entre o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Rondônia (Sticcero) e representantes do Consórcio Construtor Santo Antônio, na tentativa de acabar com a greve.

Na manhã desta quinta-feira houve confronto nos canteiros de obras, segundo o presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom), Claudio Gomes. Segundo ele, o consórcio construtor de Santo Antonio convocou todos os operários a voltarem ao trabalho, sob pena de desconto dos dias parados.

A presidente do TRT, Vania Abensur, havia autorizado o desconto dos dias parados, mas a empresa teria indicado que abonaria esses dias, na última proposta feita aos trabalhadores, que foi rejeitada. Gomes contou que um tumulto entre os trabalhadores levou a empresa a paralisar as atividades nesta quinta-feira. Já em Jirau, os operários que tentaram voltar ao trabalho foram impedidos de entrar no canteiro de obras pelos trabalhadores alojados no local (cerca de 2.500) e por ora as obras seguem paralisadas.

As usinas de Jirau e Santo Antônio, depois de concluídas, terão capacidade para gerar 6,9 mil MW, enquanto Belo Monte terá capacidade para gerar 11,2 mil MW. A usina Santo Antônio, de 3,150 mil MW, é de responsabilidade do consórcio Santo Antônio Energia, formado por Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig, Banif e FI-FGTS. A concessão da usina Jirau, de 3,75 mil MW, por sua vez, é da Energia Sustentável do Brasil, formada pelas empresas GDF Suez (50,1%), Camargo Corrêa (9,9%), Eletrosul (20%) e Chesf (20%). O Consórcio Norte Energia, responsável por Belo Monte, é formado pelo grupo Eletrobras (49,98%), Petros (10%), Funcef (5%), Caixa FIP Cevix (5%), Neoenergia (10%), Cemig (9,77%), Vale (9%), Sinobras (1%) e J Malucelli Energia (0,25%).

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