Trabalho e Previdência apoiam 7,72%

Ministérios reagem ao Planejamento e à Fazenda que querem vetar reajuste para os 8,3 milhões de aposentados que ganham acima do mínimo

Denise Madueño e Rui Nogueira, de O Estado de S. Paulo,

27 de maio de 2010 | 23h00

Os ministros da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, e do Trabalho, Carlos Lupi, também são favoráveis a que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprove os 7,72% de reajuste para os 8,3 milhões de aposentados que ganham acima de um salário mínimo.

A Medida Provisória (MP) com esse aumento – contra a proposta inicial do governo, de 6,14% de reajuste – foi aprovada no Congresso na semana passada, mas não caduca no próximo dia 1º de junho. Por ter sido alterada e ter virado um Projeto de Lei de Conversão, o presidente ainda tem duas semanas para sancionar ou vetar o que os parlamentares aprovaram.

Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) lideram o movimento contra a aprovação dos 7,72%. A maioria dos líderes políticos governistas admite que esse índice dá "conforto eleitoral" para a candidata Dilma Rousseff, mas dentro do Planalto há um movimento aconselhando o presidente a conceder no máximo 7%, que foi o reajuste negociado com a base governista.

O ministro do Trabalho disse na quinta-feira, 27, ao Estado, por meio da assessoria, que não foi chamado a opinar tecnicamente sobre o assunto. Acrescentou, porém, que a posição de Carlos Lupi é a mesma do seu partido, o PDT, na votação da MP – o PDT votou a favor dos 7,72%.

Carlos Eduardo Gabas, da Previdência, em conversa com líderes da base governista, tem se posicionado a favor do reajuste de 7,72%. Ministro e líderes discutem o efeito que teria o pagamento retroativo ao dia 1º de janeiro deste ano junto aos 8,3 milhões de aposentados, faltando quatro meses para as eleições.

O desgaste previsto seria a crítica que Lula agradou aos eleitores e rompeu a linha da responsabilidade fiscal, defendida publicamente por ele mesmo. Dilma também poderia ser criticada, na linha de que, caso eleita, não manteria as contas em ordem.

A MP enviada ao Congresso estabeleceu a correção em 6,14%. O aumento, acima da inflação, foi negociado com as centrais sindicais. Nos cálculos da equipe econômica, a diferença entre os dois índices representa R$ 1,5 bi de gastos a mais por ano.

Já o veto manteria a política de reposição da inflação em vigor e a correção das aposentadorias acima de um mínimo ficaria apenas nos 3,5%. Nesse caso, os ataques partiriam de todos os lados, de aposentados à oposição e sindicalistas.

A terceira opção tem o fato negativo de deixar o assunto exposto ao debate político. Essa hipótese traria junto com o veto a edição de outra MP para corrigir o valor dos benefícios, levando em conta a inflação mais um ganho real. Uma nova MP teria de ser discutida antes do término das eleições. Em agosto, já estaria trancando a pauta de votações do plenário da Câmara, servindo a deputados da base afoitos em agradar os eleitores aposentados e à oposição.

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