Trajetória da inflação é de continuidade de queda, diz Meirelles

Presidente do Banco Central acredita que, em algum momento, a taxa de juros poderá convergir para os padrões internacionais

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

20 de dezembro de 2010 | 13h49

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse há pouco que a taxa de inflação brasileira já recuou bastante nos últimos anos e que a trajetória é de continuidade na queda. Por isso, Meirelles acredita que, em algum momento, a taxa de juros poderá convergir para os padrões internacionais. "A taxa de juros é um instrumento para manter a inflação na meta. Ela (inflação) tem caído nos últimos anos e a expectativa é que continue a cair e, portanto, nada impede que o Brasil tenha taxa de juros, nos próximos anos, que convirja para os padrões internacionais.

O presidente Meirelles fez a afirmação numa rápida entrevista coletiva após ter participado de cerimônia da entrega da reformar de parte do prédio sede do Banco Central em São Paulo. Em relação à possibilidade de o Brasil alcançar taxa de juros real de 2% em 2014, Meirelles limitou-se a comentar que esse "é um desejo de todos". E acrescentou: "a taxa de juros continua numa trajetória cadente; quando assumimos (2003) a taxa real estava acima de 14% ao ano, depois chegou a 16% e agora está em 6%".

Meirelles também falou sobre a importância da autonomia operacional concedida ao Banco Central pelo presidente Lula. De acordo com ele foi graças a essa autonomia que a instituição pode tomar decisões mais duras nos momentos em que foi necessário.

Sobre a continuidade do trabalho feito por ele nesses oito anos em que ficou à frente do BC, Meirelles disse que a instituição está preparada para dar continuidade e sustentabilidade ao trabalho. "Não só o novo presidente (Alexandre Tombini), que trabalhou conosco nos últimos cinco anos, mas também a diretoria e os funcionários".

Meirelles destacou que o Banco Central terá pela frente os mesmos desafios de qualquer outro BC. "O BC tem que ficar sempre vigilante: é o responsável pela manutenção do poder de compra da moeda, pela estabilidade do sistema financeiro, pela manutenção e aperfeiçoamento de um mercado de câmbio que funcione de maneira eficaz, pela gestão das reservas internacionais e, em última análise, mantendo o equilíbrio macroeconômico", disse, acrescentando que esse é um desafio que nunca acaba. "Não existe um momento em que se diz: agora o BC não precisa mais trabalhar. O BC em qualquer país do mundo tem desafios sempre e em qualquer época", disse.

Ele ressaltou, no entanto, que  sempre existe algum momento, como a crise de 2008 e antes disso a crise de 2003, que são "momentos que envolvem um tipo de engajamento maior, que ninguém procura, mas quando acontecem têm de ser enfrentados".

Também estavam presentes ao evento, os diretores de Política Monetária Aldo Mendes, de Liquidações e Controle de Operações do Crédito Rural, Antonio Gustavo Matos do Vale, de Administração, Anthero de Moraes Meirelles e o chefe do Departamento de Recursos Materiais e Patrimônio (Demap), Antonio Carlos Mendes de Oliveira.

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