FELIPE RAU/ESTADAO
FELIPE RAU/ESTADAO

Transformação digital leva Sharpen e Mattar a comprar Neobpo

Empresa criada pela Tivit deve faturar R$ 700 mi este ano, terceirizando processos de gestão; objetivo é ser consolidadora do setor, sobretudo com novas tecnologias

Cristiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 16h22

A gestora Sharpen Capital e o empresário Luiz Mattar juntaram-se para adquirir a Neobpo, empresa criada pela prestadora de serviços de tecnologia Tivit e especializada em terceirização de processos de negócios. Controlada pelo fundo de investimento em empresas fechadas Apax Partners, a Tivit teve receita bruta de R$ 1,8 bilhão em 2018. Já a Neobpo, que se tornou uma companhia independente da Tivit em 2017, faturou R$ 580 milhões no ano passado e deve alcançar R$ 700 milhões em 2019. No primeiro semestre, a receita da empresa foi de R$ 328 milhões. O valor do negócio não foi revelado.

A nova empresa nasce com a expectativa de ser uma consolidadora de um mercado no qual as empresas fazem fora de casa processos de gestão, em áreas tão distintas como marketing, relacionamento com clientes ou financeiro. “A Neobpo é a empresa mais bem posicionada para crescer nas soluções digitais e mais complexas", afirma Ricardo Costa, da Sharpen. "Definitivamente seremos mais ativos em aquisições pontuais, com soluções específicas para negócios.”

​Luiz Antonio Joia ​, professor titular da Ebape-FGV​, vê o setor passar por uma consolidação no futuro, principalmente por conta dos investimentos necessários em novas tecnologias, como internet das coisas, big data e inteligência artificial. "Poucos podem acompanhar essa evolução, mas é preciso fazer esse alinhamento de maneira bem pensada", diz Joia. "A transformação digital varre tudo e tira as coisas do lugar, mas a empresa precisa tomar cuidado com os processos que abrirá para terceiros, para evitar perder expertise e aprendizado com seus maiores ativos."

Histórico

Mattar fundou a Tivit, vendida para o Apax há nove anos por R$ 1,6 bilhão, incluindo valores pagos a acionistas minoritários, para fechar o capital da empresa. Mattar continua como presidente executivo e do conselho da Tivit. Também mantém a posição de presidente de conselho da Neobpo e agora, é seu controlador, com participação similar à da Sharpen.

“A troca de controle vai ser uma oportunidade para impulsionar a empresa a ajudar seus clientes no processo de transformação para o mundo digital”, diz Marco Lupi, presidente executivo da Neobpo. “Nascemos desde o primeiro dia com essa perspectiva, que agora tem a possibilidade de acelerar.”

Entre os serviços prestados, há desde agentes virtuais como chatbots a indicadores de satisfação em tempo real que tomam decisões. Ou mesmo uma plataforma de backoffice que reduziu pela metade as autorizações de financiamento de automóveis de quatro para menos de dois dias, por exemplo. “O desafio é colocar ainda mais tecnologia, como big data e analytics (grandes quantidades de dados e análise), dentro dos processos, de diferentes áreas”, diz.

Luiz Mattar, que está na China conhecendo agências de inovação e fomento, bem como empresas de tecnologia, afirma que o principal desafio da empresa é tornar o cliente um parceiro estratégico, colocando inovação e produtividade em sua operação.

Já o Sharpen abriu uma captação específica para a compra – e não revela números. “Essa é uma área mais resiliente, com prazo extenso de investimento e que permite a construção de soluções que tornam relações entre empresas e clientes e resultados mais fortes”, afirma Costa.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.