Transgênico: mundo deve plantar 200 milhões de hectares em 2015

Crescimento está sustentado na rápida adoção da biotecnologia nos países em desenvolvimento

23 de fevereiro de 2010 | 19h02

O Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA) estima que o plantio de transgênicos poderá atingir 200 milhões de hectares no mundo até 2015, ante os 134 mi/ha atuais. O crescimento está sustentado na rápida adoção da biotecnologia nos países em desenvolvimento. "Benefícios como o aumento da produtividade, desenvolvimento de plantas tolerantes à seca e manutenção da sustentabilidade devem estimular pequenos agricultores a utilizarem mais sementes transgênicas nos próximos anos", afirmou Clive James, presidente do ISAAA, em teleconferência realizada nesta terça-feira, 23, em Pequim, na China.

 

Dentre as culturas mais importantes, o ISAAA apontou o milho e o arroz como duas culturas importantes neste movimento de expansão, que deve elevar o número de países que plantam transgênicos dos atuais 25 para 40. No primeiro caso, porque o milho é o cereal mais consumido no mundo para a produção de ração, enquanto o arroz é o produto mais utilizado na alimentação humana. "A licença de biossegurança por parte da China para o arroz resistente a insetos provavelmente irá estimular um desenvolvimento mais rápido de arroz e de outras culturas transgênicas em outros países em desenvolvimento", afirmou James. A expectativa é de que a primeira variedade de milho tolerante à seca seja utilizada nos Estados Unidos no próximo ano e na África Subsaariana em 2017.

 

Em 2009, os oito principais países, cada um com cultivo de área transgênica superior a 1 milhão de hectares, foram: Estados Unidos (64,0 milhões hectares), Brasil (21,4 milhões ha), Argentina (21,3 milhões ha), Índia (8,4 milhões ha), Canadá (8,2 milhões ha), China (3,7 milhões ha), Paraguai (2,2 milhões ha) e África do Sul (2,1 milhões ha).

 

Segundo o ISAAA, a adoção de transgênicos gerou ganhos econômicos de US$ 51,9 bilhões entre 1996 e 2008, reflexo da redução de 50% nos custos de produção e da melhora de produtividade. O instituto aponta ainda que, sem o uso da tecnologia, teriam sido necessários 62,6 milhões de hectares adicionais para obter o mesmo resultado.

 

O Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications, ISAAA) é uma organização sem fins lucrativos, com sede nos Estados Unidos, que conta com uma rede internacional de centros voltada para compartilhar informações sobre biotecnologia. Anualmente, o instituto divulga um balanço sobre a situação das lavouras transgênicas no mundo. (Fabiola Gomes)

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