Transgênico: suspensa venda de 70 mil sacas de sementes de algodão

Brasília, 20 - A Delegacia Federal da Agricultura em Mato Grosso suspendeu a comercialização de 70 mil sacas de sementes de algodão em Mato Grosso. As sementes são transgênicas. A suspensão está prevista na Instrução de Serviço Conjunta das secretarias de Defesa Agropecuária e de Apoio Rural e Cooperativismo (SARC) do Ministério da Agricultura. A instrução é do dia 19 de agosto e visa a impedir o cultivo de algodão transgênico no País. De acordo com informações da assessoria de imprensa do ministério, foi concluído o processo de contratação do laboratório para realizar análises em novas amostras de sementes e de folhas de algodão já coletadas pelos fiscais. Também foram adquiridos hoje 200 kits para a realização 2 mil testes imunocromatográficos para a detecção de transgênicos. A assessoria informou que o ministro Roberto Rodrigues determinou, no dia 10 de agosto, a intensificação da fiscalização em Mato Grosso, onde foi constatado o plantio de algodão geneticamente modificado. O ministro também determinou a ampliação da fiscalização para outros 15 estados produtores de algodão, além da destruição de todas lavouras clandestinas no País. Desde então, o ministério intensificou a fiscalização de áreas do plantio comercial e de sementes, além de usinas de beneficiamento de algodão, por meio de verificação das notas fiscais de compra de sementes e da coleta de amostras para análise laboratorial. Em reunião com representantes do setor privado, o ministro fez um alerta sobre os riscos e as implicações da utilização de sementes não autorizadas, como a introdução de pragas e doenças exóticas no país. Rodrigues esclareceu, ainda de acordo com a assessoria, que o fato é um problema técnico mais sério do que a soja transgênica, porque há a possibilidade de polinização cruzada por insetos com o algodão convencional e espécies silvestres nativas. O ministro estabeleceu uma estratégia conjunta de ação para coibir o uso de sementes transgênicas de algodão em todo o País. O ministério exigirá testes de presença de organismos geneticamente modificados em todas as sementes de algodão usadas no plantio das próximas safras. Só poderão ser utilizadas sementes produzidas dentro do Sistema Nacional de Produção de Sementes. O infrator poderá, além de ter a lavoura irregular destruída, responder criminalmente e perder benefícios de crédito para a produção. No Brasil, a Lei de Biossegurança submete a liberação de qualquer tipo de organismo geneticamente modificado à prévia avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e à autorização dos demais órgãos competentes. Além disso, a Lei de Sementes exige o registro prévio das sementes no Registro Nacional de Cultivares do ministério. Entre os dias 23 de agosto e 10 de setembro, técnicos do Ministério da Agricultura coletaram 591 amostras de folhas e sementes de algodão em sete estados produtores. A intenção era detectar a transgenia no material. Até agora, 60 amostras foram analisadas em laboratório. Apenas em Mato Grosso houve resultado positivo para a presença de organismos geneticamente modificados no algodão - quatro em amostras das folhas e seis em sementes, informou a assessoria de imprensa do ministério. (segue)

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