Transgênicos: Argentina e Monsanto adiam definição sobre royalties

Buenos Aires, 23 - A empresa norte-americana Monsanto e a Secretaria de Agricultura da Argentina entraram em um acordo sobre a forma de cobrança de royalties para a comercialização da semente de soja RR no país. Em reunião que durou até o início da noite de ontem, entre a Monsanto, secretaria de Agricultura, Associação de Sementeiros Argentinos, Associação Argentina para a Proteção de Obtentores Vegetais e alguns exportadores, ficou definido um prazo de 45 dias para a preparação de um "rascunho de projeto de lei de Fundo de Compensação Tecnológica". A decisão parece ter esfriado os ânimos após as ameaças da Monsanto e as acusações do secretário de Agricultura, Miguel Campos. A Monsanto ameaçou reter os valores correspondentes aos royalties nos portos de destino onde o gene da soja RR está patenteado. Já Miguel Campos acusou a empresa de "extorsão" e "falta de seriedade". O porta-voz da Monsanto, Federico Ovejero, explicou que, pelo sistema atual, cerca de 60% das sementes vendidas no país não pagam royalties. O negócio total de sementes gira em torno de U$S 985 milhões anuais. A situação se dá basicamente com a soja, o principal produto cultivado no país, com vendas de US$ 7 bilhões anuais. Por suas características biológicas, a soja pode ser replantada e assim não é necessário comprar novas sementes, o que evita o pagamento de royalties. Embora o gene RR não esteja patenteado na Argentina, 95% da soja plantada no país é transgênica. Ovejero disse que se o projeto de lei conseguir "criar um sistema que garanta o retorno dos investimentos em investigações biotecnológicas", o governo argentino "desistirá de qualquer outro mecanismo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.