Transgênicos: pesquisadora inglesa nega ameaça à biodiversidade

Porto Alegre, 9 - Os transgênicos não representam uma ameaça à biodiversidade, avaliou a pesquisadora inglesa Angharad Gatehouse, da Universidade de Newcastle. Segundo ela, quando a tecnologia foi desenvolvida havia uma grande preocupação sobre seu impacto no meio ambiente, mas as evidências hoje, nos países em que estas variedades estão sendo cultivadas, são de que a biodiversidade não está sendo reduzida pelos organismos geneticamente modificados (OGMs). Angharad foi palestrante do XX Congresso Brasileiro de Entomologia, que está sendo realizado em Gramado (RS). O evento, que termina amanhã (10), tem uma programação variada, que inclui a irradiação de alimentos para eliminar larvas, o manejo integrado de pragas e a entomologia forense, que analisa como os insetos podem ajudar investigações criminais. Por ser mais eficiente que o cultivo convencional, a tecnologia geneticamente modificada dá uma contribuição à biodiversidade ao preservar terras e mananciais de água, avaliou a pesquisadora. A produção transgênica permite reduzir o uso de herbicidas - sem eliminá-los - e a necessidade de terras para a agricultura, disse Angharad, que realiza pesquisas com OGMs resistentes a insetos. Na sua avaliação, ainda há muita polarização no debate sobre transgênicos. Mas ela defende o direito de escolha dos consumidores. Segundo a pesquisadora, as opiniões do público inglês, em particular, foram influenciadas pelo episódio da doença da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina), que causou uma perda de confiança na ciência e uma reação contrária aos transgênicos, alimentada pela imprensa e pelos adversários da tecnologia. Agora a imprensa está abordando o tema de forma mais balanceada, diz. "Nós deveríamos ser governados pelos fatos, não por opiniões", afirmou.

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