Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Três grupos disputam complexo eólico da Renova avaliado em R$ 700 milhões

Projeto Alto Sertão III, no interior da Bahia, atraiu o interesse de companhias como AES Tietê, Aliança Energia (joint venture entre Cemig e Vale) e Rio Energy; além da venda total do ativo, entrada de novo sócio também é avaliada

Renée Pereira e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 04h00

AES Tietê, Aliança Energia e Rio Energy estão na disputa pelo Complexo Eólico Alto Sertão III, da Renova Energia. Avaliado em cerca de R$ 700 milhões, o negócio envolve um projeto de 400 megawatts (MW) no interior da Bahia – é energia suficiente para abastecer uma cidade de 1,6 milhão de pessoas. O Estado apurou que a venda do projeto ou uma capitalização na holding para conclusão do empreendimento deve ser fechada ainda neste ano.

Fundada em 2001, a Renova tem como sócios a estatal mineira Cemig; a Light, do Rio de Janeiro; o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a RR Participações. Até agosto deste ano, Alto Sertão III estava sendo negociado com a canadense Brookfield, apontada como a favorita a concluir a transação. Mas o negócio não foi fechado depois que o nome da Renova foi citado num inquérito da polícia civil de Minas Gerais. A gestora tinha interesse nos ativos que complementariam seus projetos de energia renovável, mas desistiu de vez, apurou o Estado com pessoas familiarizadas com o assunto. Procurada, a Brookfield não comenta.

Uma fonte ligada aos sócios da Renova afirmou que além da venda total dos parques, há outras alternativas em análise. A entrada de um sócio por meio da capitalização da holding seria uma delas. Nesse caso, o empreendimento seria concluído, podendo ser vendido posteriormente por um preço mais atraente, afirmou uma fonte.

Hoje o projeto está com 87% dos investimentos concluídos. No total, foram gastos até agora R$ 2,1 bilhões, sendo R$ 900 milhões de dívidas com o BNDES – originalmente, esse valor era de R$ 650 milhões referente a um empréstimo ponte que vem sendo renovado a juros altos. Para concluir o projeto, faltam R$ 325 milhões, apurou o Estado.

A empresa tem pressa para definir o futuro do complexo eólico. Com a paralisação das obras, a empresa tem sido obrigada a comprar energia no mercado à vista todo mês para cumprir contratos firmados no mercado. A Renova tem cerca de 100 MW de energia de Alto Sertão III vendida em contrato.

O empreendimento faz parte de um conjunto de três complexos eólicos levantados pela Renova na Bahia. Os dois primeiros, que somam quase 700 MW de potência instalada, já foram vendidos. O primeiro foi adquirido pela Brookfield e o segundo pela AES Tietê, que agora avalia a compra do terceiro complexo.

O complexo Alto Sertão II, foi adquirido pela AES Tietê por R$ 600 milhões, no ano passado. A compra de Alto Sertão III representaria um ganho de escala e eficiência para a empresa controlada pelo grupo americano, que vendeu neste ano a Eletropaulo e já afirmou que quer apostar em energia renovável no Brasil. Procurada, a AES Tietê informou por meio de nota que a companhia “está atenta a todas as oportunidades do setor, mas não comenta sobre rumores de mercado”.

Outra empresa que tem interesse no complexo eólico é a Aliança Geração de Energia, uma joint venture formada em 2015 por Cemig e Vale. O grupo tem sete usinas hidrelétricas, com capacidade de 1.158 MW, e um parque eólico de 98,7 MW. Procurada, a empresa afirmou que não comentaria o assunto.

A Rio Energy, da gestora internacional Denham Capital, tem parques eólicos na mesma região onde está localizado Alto Sertão III. Procurada, a companhia não retornou os pedidos de entrevista.

Histórico

A Renova foi uma das primeiras empresas a apostar na energia eólica no Brasil. Em 2010, com um portfólio robusto de projetos no Nordeste, a empresa abriu o capital na Bolsa de Valores de São Paulo, hoje B3, e atraiu a atenção de vários investidores, como Cemig e Light. Mais tarde, a empresa fechou uma parceria frustrada com a americana SunEdison. O negócio obrigou a empresa a fazer uma rígida reestruturação, com novos aportes de sócios e venda de ativos. A dívida da holding é de R$ 1,3 bilhão, sendo 65% com os sócios.

Atualmente, a empresa tem três pequenas centrais hidrelétricas, de 41,8 MW; e participação de 51% da Brasil PCH, que tem 13 usinas espalhadas pelo Brasil, com capacidade de 148,4 MW. Procurada, a Renova não quis se pronunciar.

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