Trigo: setor pede contrato de opção de venda para 1 milhão de t

São Paulo, 24 - Em reunião da cadeia produtiva do trigo, encerrada há pouco em Curitiba, o setor reafirmou a necessidade de o governo lançar rapidamente mecanismos de apoio à comercialização da safra, principalmente contratos de opção de venda para um mínimo de um milhão de toneladas. O assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), organizadora do evento, Robson Mafioletti, disse que eventuais garantias dadas pelo governo agora "evitariam um desespero" no auge da safra, em outubro e novembro. O Brasil começa a colher neste mês safra recorde de trigo, avaliada em aproximadamente 6 milhões de toneladas. Nos últimos dois meses, devido à maior produção mundial do cereal, os preços do trigo no mercado internacional vêm caindo e no mercado interno se aproximam do mínimo de garantia do governo, que é de R$ 400/tonelada na região Sul e R$ 450/t no Centro-Oeste. No ano passado, quando o Brasil colheu também uma safra recorde, de 5,8 milhões de toneladas, os preços no mercado internacional davam competitividade ao trigo nacional e o Brasil conseguiu exportar 1,4 milhão de toneladas a um preço médio de US$ 160/t. Neste ano-safra as condições não devem se repetir. Hoje, segundo apresentado na reunião da cadeia, a paridade entre o preço interno e o externo que viabilizaria a exportação é de US$ 120 a US$ 130/t, o equivalente a R$ 310 a tonelada, abaixo, portanto, do preço mínimo do governo. De acordo com Mafioletti, o diretor de Departamento de Abastecimento Agropecuário, José Maria dos Anjos, disse hoje que o governo lançará os contratos, possivelmente nos meses pedidos, mas não adiantou se o governo tem recursos para atender ao volume demandado pelo setor. Por isso, os 120 dirigentes da cadeia, entre representantes de cooperativas, governo, moinhos e produtores, reunidos nesta terça-feira na sede da Ocepar, decidiram que uma comissão do setor estará amanhã no Congresso para apoiar proposta do Ministério da Agricultura de garantir recursos no orçamento para políticas de apoio à produção. Além de contratos de opção de venda, o setor pede Empréstimos do Governo Federal (EGF) e Linha de Crédito para Comercialização (LEC). No encontro de hoje, a indústria moageira pediu ao governo que intensifique a fiscalização para evitar a entrada no Brasil de pré-mistura da Argentina, cujas exportações no país vizinho são favorecidas por imposto de importação menor que o que incide sobre o trigo em grão. Outro pedido é de que a Conab deixe de reter PIS Cofins sobre a venda do trigo via contrato de opção, hoje de 4,65% do valor do contrato. Mafioletti disse que este pedido deve ser atendido pelo governo. (Jane Miklasevicius)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.