AP Photo/Evan Vucci
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Preço do petróleo é alvo de críticas de Donald Trump e Opep rebate

No Twitter, o presidente americano reclamou que os preços do estão 'artificialmente muito altos' e que isso não é aceitável

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 11h50

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou criticou a  Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), realizada nesta sexta-feira na Arábia Saudita por cortes de produção que ajudaram a elevar os preços do petróleo. Na avaliação de Trump, os preços estão "artificialmente muito altos", o que ele diz que não pretende aceitar. Em resposta, o ministro de petróleo da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, disse que "não existe isso de preço artificial", acrescentando que os "mercados é quem determinam os preços". Após a fala de Trump, o petróleo, que subia moderadamente, passou ao território negativo.

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"Parece que a Opep está aprontando de novo. Com quantidades recordes de petróleo por toda parte, incluindo navios lotados no mar, os preços do petróleo estão artificialmente muito altos! Isso não é bom e não será aceito!", escreveu Trump, em sua conta oficial no Twitter.

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Khalid al-Falih disse que as reduções na produção da Opep estavam "longe de terminar". Seu colega russo, Alexander Novak, disse que seu país está comprometido em cumprir completamente os cortes acordados.

Autoridades da Opep e de outras nações, como a Rússia, se reúnem para discutir o acordo atualmente em vigor que reduz a produção desses países, a fim de apoiar os preços e equilibrar o mercado. O esforço da Opep se contrapõe à crescente produção americana da commodity nos últimos tempos. 

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A Opep e 10 produtores fora do cartel estão sob um acordo de corte na produção de petróleo em cerca de 1,8 milhão de barris por dia desde o início de 2017. O acordo deve expirar no final deste ano, mas a Arábia Saudita indicou que os participantes poderiam continuar até 2019.

As opções de Trump para influenciar os preços do petróleo são limitadas, já que a produção de petróleo dos Estados Unidos depende de dezenas de produtores independentes, em vez de uma estatal como é o caso da Opep, disseram analistas.

"Há muito pouco que ele possa realmente fazer, ao contrário dos sauditas que controlam sua própria produção", disse Tom Pugh, economista de commodities da Capital Economics. "E é apenas um tweet por enquanto, temos que ver se isso se torna algo mais concreto", acrescentou.

O secretário-geral da Opep, Mohammed Barkindo, disse hoje que a indústria petrolífera americana "está se beneficiando" dos cortes na produção da Opep. De fato, os preços mais altos incentivaram os produtores de óleo de xisto dos EUA a aumentar a produção no último ano, dando nova vida a uma indústria que havia sido pressionada pelo excesso de oferta global e pelos baixos preços, de acordo com analistas.

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