UE impõe à Grécia calendário de ajuste e reformas econômicas

Autoridades gregas terão de anunciar em 16 de março mais medidas de ajuste além das já aprovadas caso haja desvio das metas de redução afixadas

Efe,

16 de fevereiro de 2010 | 12h01

Os ministros da área econômica da União Europeia (UE) impuseram nesta terça-feira, 16, à Grécia um exigente calendário para o ajuste de seu volumoso déficit público e a promoção de amplas reformas estruturais.

 

Os participantes da reunião, presidida pela ministra espanhola de Economia e Fazenda, Elena Salgado, apoiaram o compromisso do Governo grego de reduzir o déficit do país de 12,75% para 8,7% do PIB em 2010 e de baixá-lo para menos de 3% até 2012.

 

No entanto, em 16 de março, as autoridades gregas terão que anunciar mais medidas de ajuste além das aprovadas nesta terça-feira, caso o processo de consolidação orçamentária se desvie das metas de redução afixadas.

 

Salgado destacou ainda que, pela primeira vez, os ministros reunidos recorreram a um artigo do tratado do bloco que permite à UE lançar uma advertência a um Estado-membro cuja política econômica se desvia das diretrizes macroeconômicas compartilhadas. A pedido da Comissão Europeia (o órgão executivo da UE), os ministros fizeram a Atenas recomendações a respeito.

 

Nelas, os países-membros pedem que à Grécia "elabore e aplique o mais rápido possível, começando em 2010", um "pacote global de reformas estruturais", com medidas específicas para "salários, as reformas previdenciária e da saúde, as administrações públicas, o mercado de produtos, a melhora do clima empresarial e o aumento da produtividade e do emprego".

 

O novo comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, anunciou que, em alguns dias, uma missão composta por técnicos da Comissão Europeia do Banco Central e do Fundo Monetário Internacional (FMI) viajará a Atenas para assessorar as autoridades do país na aplicação do combinado.

 

O comissário confirmou ainda a abertura de um procedimento de infração contra a Grécia por ter manipulado suas estatísticas relativas ao estado das finanças públicas.

 

O Escritório de Estatística da UE, o Eurostat, também pediu às autoridades gregas que deem informações sobre as operações com divisas e produtos derivados que, segundo informações, podem ter ajudado o Tesouro grego a camuflar o déficit e a dívida do país.

 

O assunto, segundo Rehn, "deve ser investigado com profundidade", a fim de comprovar que todas as regras da união econômica e monetária foram respeitadas

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