UE se afasta de meta de biocombustíveis e visa acordo com Brasil

Líderes de energia da União Européiacogitaram um acordo com o Brasil sobre biocombustíveis nestesábado, ao final de uma reunião de três dias em Paris, durantea qual eles se afastaram da controversa meta de biocombustíveisda região. Apesar de não terem realizado propostas de mudançasconcretas para a legislação de biocombustível, os ministrosafirmam que a UE falhou em comunicar apropriadamente seusplanos para fazer com que 10 por cento do combustível dostransportes terrestres venham de fontes renováveis, como osbiocombustíveis, até 2020. O ministro do Meio-Ambiente francês Jean-Louis Borloo disseque muitas pessoas entenderam erradamente que a metasignificaria 10 por cento apenas de biocombustíveis. Ele afirmou que a UE deixou claro que a meta também incluiveículos elétricos recarregáveis, usando eletricidade verde oualimentados por hidrogênio --tecnologia em desenvolvimento queapesar de não poder ser utilizada nos dias de hoje pode ter umpapel fundamental até 2020. Há 18 meses, os biocombustíveis pareciam uma idéia ótima,mas seu valor agora não parece mais tão claro, acrescentou oministro. Ao se distanciar dos biocombustíveis, os ministros esperamdissipar o crescente criticismo de que a meta está contribuindopara o desflorestamento e está ajudando a pressionar os preçosdos alimentos --já que parte crescente da produção agrícola éusada para fabricar biocombustíveis ao invés de alimentos. "Nós precisamos decidir se a meta pode ser mantida",afirmou o secretário de Estado alemão Jochen Homann ajornalistas. "Ela pode ser modificada". A França e a Itália também questionaram a meta na últimassemanas e a Inglaterra está avaliando uma meta própria, baseadanas metas da UE. Borloo afirmou que há amplo apoio à sugestão do parlamentarda UE Claude Turmes que afirmou que a União Européia deveriarealizar um acordo bilateral com o Brasil para importarbiocombustíveis. Turmes, que está liderando a lei de energia renovável noParlamento Europeu, está pressionando para que as propostas dosbiocombustíveis sejam revistas para evitar efeitos prejudiciaispara as florestas e a biodiversidade. "Minha análise mostra que o único país de onde podemosimportar de forma sustentável, e em quantidades substanciais, combustíveis agrícolas para a UE, no momento, é o Brasil",disse Turmes à Reuters. "Tal acordo seria um teste, com critérios rígidos nasustentabilidade e nos problemas sociais", acrescentou. "Aomesmo tempo, o Brasil teria que mostrar que está interrompendoo desflorestamento."

PETE HARRISON, REUTERS

05 de julho de 2008 | 14h42

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