UE/Mercosul: Graça Lima vê dificuldade p/fechar acordo até outubro

Genebra, 25 - O embaixador do Brasil em Bruxelas, José Alfredo Graça Lima, acredita que será "difícil" que o Mercosul e a União Européia (UE) fechem um acordo comercial até outubro, prazo que havia sido estabelecido pelos ministros dos dois blocos. Um dos principais obstáculos é a mudança dos comissários europeus, planejada para o dia 1º de novembro. "Está ficando cada vez mais difícil (cumprir o prazo)", alerta o diplomata. As próximas reuniões entre os dois blocos já estão planejadas. A primeira ocorre no dia 13 de setembro, em Bruxelas, e servirá para que os técnicos tratem de temas como propriedade intelectual e regras fitossanitárias. Entre o dia 20 e 25, o Mercosul e a UE ainda realizam o que deve ser a última oportunidade para que um acordo seja fechado. Os coordenadores de cada país se reúnem em Bruxelas nessas datas para tratar exclusivamente de acesso a mercados, seja na parte agrícola, que interessa ao Mercosul, seja na parte de bens industriais e serviços. Para que esse segundo encontro ocorra, porém, espera-se primeiro um contato político entre o chanceler Celso Amorim e o comissário de Comércio da UE, Pascal Lamy. Para muitos diplomatas que participam das negociações, não haveria motivo para um novo encontro se politicamente não for estabelecido um compromisso. Segundo pessoas que trabalham com Lamy, o comissário retorna amanhã (26) de suas férias e deverá manter contatos com os ministros do Mercosul nos próximos dias para "ver o que se pode ainda ser feito". O problema é que, com os novos comissários já indicados, muitos em Bruxelas duvidam que os países da UE aceitem dar novas concessões para o Mercosul sabendo que a administração do bloco europeu será completamente modificada. No lugar do francês Pascal Lamy entrará o britânico Peter Mandelson. Para Graça Lima, não haveria mais condição para que os comissários europeus tentem "vender" um novo acordo aos estados membros da UE. Se a reunião de setembro não oferecer uma reviravolta, portanto, o processo ficará praticamente interrompido até que os novos comissários assumam seus postos. "Outubro será o mês em que todos estarão esvaziando suas gazetas", afirmou Graça Lima. Nos últimos dois encontros, em julho em Bruxelas e há duas semanas em Brasília, os dois blocos não conseguiram avançar nas negociações e os debates foram interrompidos nas duas oportunidades. No próximo dia 30, os ministros da Argentina e Brasil ainda se reúnem para avaliar como irão enfrentar as últimas semanas de negociação com os europeus antes que o prazo termine. (Jamil Chade, segue) Para Graça Lima, a mudança de administração no bloco europeu não deve ser o único motivo para que o acordo não seja concluído. Segundo ele, o Brasil deveria "inverter" a lógica que a UE está tentando impor ao Mercosul, que é a de fechar um acordo antes de um entendimento na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Acredito que, por interesse do próprio Brasil, devemos ver o que irá ocorrer primeiro nas negociações multilaterais", afirma o diplomata. A idéia é de que, com um acordo na OMC encaminhado, seria mais fácil para o Brasil barganhar um acesso ao mercado europeu além do que será oferecido no âmbito multilateral. Para analistas, se o acordo entre o Mercosul e a UE for concluído antes do tratado da OMC, o Mercosul corre o risco de obter menos que poderia, já que não saberá exatamente qual é o limite da abertura que a UE está disposta a fazer. Enquanto o acordo com a UE sofre turbulências, as negociações com a Índia caminham mais rápido que o esperado. Segundo o Itamaraty, os representantes de Nova Deli desembarcam em Brasília no dia 6 de setembro para tentar concluir um acordo de preferências tarifárias. Cerca de 450 produtos serão oferecidos de cada lado e o Brasil já encomendou um estudo sobre o impacto dessas preferência para cada setor. (Jamil Chade, fim)

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