ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Ultra vai buscar ativos no exterior

Após ter compra da Liquigás barrada pelo Cade em fevereiro deste ano, Ultragaz avalia negócios do setor em países da América Latina

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2018 | 04h00

O grupo Ultra, dono da rede de postos Ipiranga, está avaliando a compra de ativos na área de gás de cozinha fora do Brasil. A internacionalização é o caminho para que o conglomerado possa crescer no setor, depois de a negociação da Liquigás (da Petrobrás) ter sido barrada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em fevereiro deste ano. Frederico Curado, presidente da companhia, afirmou que a Ultragaz agora busca negócios na América Latina.

No Brasil, o Ultra é líder na venda do botijão de gás – a compra da Liquigás consolidaria a posição da companhia no mercado nacional –, mas o órgão regulador considerou que a concentração poderia ser danosa ao consumidor final. “Começamos a avaliar negócios na América Latina com mais profundidade”, disse Curado.

A compra da Liquigás pelo Ultra foi anunciada no fim de 2016 por R$ 2,8 bilhões. À época, a dona do posto Ipiranga assinou uma cláusula na qual se comprometia a pagar uma multa de 10%, ou R$ 280 milhões, caso o negócio fosse barrado. A empresa estava disposta a ceder a eventuais remédios do Cade para garantir o acordo, mas o órgão vetou essa possibilidade.

À frente do Ultra desde outubro do ano passado, Curado, ex-Embraer, disse não ter mandato dos acionistas para internacionalizar os negócios do grupo. A prioridade, segundo ele, é dar continuidade à expansão da companhia nas áreas em que o Ultra já atua. E isso pode incluir acordos que extrapolem as fronteiras do Brasil. 

Na quinta-feira, 13, a companhia anunciou ao mercado plano de investir R$ 1,762 bilhão em 2019 para a expansão orgânica de seus negócios. Esse valor não inclui aquisições. Além da atuar em distribuição de combustíveis e em gás de cozinha, o Ultra é dono da rede de farmácias Extrafarma, da Ultracargo (logística) e da Oxiteno (química). Neste ano, os aportes devem ficar em cerca de R$ 2 bilhões (abaixo dos R$ 2,7 bilhões previstos inicialmente).

Combustíveis

Vice-líder em distribuição de combustíveis, atrás da BR Distribuidora, com cerca de 8 mil postos, a companhia vai investir R$ 824 milhões a partir do ano que vem na abertura de novas unidades e em duas novas bases de combustíveis – uma no Pará e outra em Fortaleza.

Em combustíveis, o grupo também não tem margem de manobra para aquisições no País. Antes de barrar a compra da Liquigás, o órgão antitruste havia impedido um outro importante movimento de expansão do grupo: a compra da rede Ale, quarta maior rede de distribuição de combustíveis do País. O anúncio foi feito em junho de 2016, por R$ 2,17 bilhões. O negócio parou nas mãos da suíça Glencore.

Com receita líquida acumulada de R$ 67,2 bilhões até setembro, aumento de 16% sobre igual período do ano passado, a Ipiranga responde por 85% do faturamento do grupo.

O Ultra não descarta, porém, fazer aquisições para expandir seu negócio de varejo farmacêutico – no qual ainda tem chances de crescer sem ser barrada pelo Cade. Hoje, a empresa tem 414 lojas da bandeira Extrafarma em operação. Do total de R$ 1,762 bilhão previsto para investir no ano que vem, o conglomerado prevê usar R$ 158 milhões no segmento farmacêutico.

Segundo Curado, a companhia vai investir no próximo ano em dois centros de distribuição para a operação de varejo: um em São Paulo e outro no Nordeste.

Desafios

Para analistas do banco BTG Pactual, o desafio do Ultra não está apenas na retomada do crescimento do País, o que afeta a receita da empresa, mas em melhorar a rentabilidade de seus negócios.

Ao longo deste ano, as vendas do grupo foram impactadas pela recessão que o País enfrenta e pela volatilidade do mercado de combustíveis, seu principal negócio, observam os analistas do banco. Eles ressalvam, contudo, que além da recuperação da economia, a empresa tem de administrar seu portfólio de negócios para melhorar suas margens.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.