Um em cada cinco brasileiros planeja montar negócio próprio

Empreendedorismo é visto como opção de carreira para 80% da população, aponta estudo

Nívea Terumi, do Economia & Negócios,

30 de agosto de 2010 | 22h30


Montar o próprio negócio está no projeto de vida de um em cada cinco brasileiros com idade entre 18 e 64 anos, diz o estudo Global Entrepreneurship Monitor realizado em 2009. Oitenta por cento da população entende o empreendedorismo como uma boa opção de carreira e, apesar de mais da metade considerar que possui conhecimento, habilidade e experiência para começar um novo negócio, cerca de um terço das novas empresas não sobrevive ao primeiro ano de vida (de acordo com última pesquisa do Sebrae-SP).

Embora a atual expansão da economia brasileira beneficiar todos os setores, o cenário é menos favorável para o emprego criado pelo próprio empregado. Ainda hoje, o empreendedor brasileiro enfrenta uma série de empecilhos na criação de seu negócio.

Barreiras estruturais

Segundo a pesquisa "Doing Business" realizada pelo Banco Mundial, em 2010, o Brasil ocupava a 129ª posição no ranking que mede a facilidade para tocar um negócio (a República Centro-Africana levou a última colocação, 183ª, e Cingapura ficou com o topo da lista). Para o consultor em empreendedorismo Fernando Dolabela, isso acontece porque as condições básicas e marcos regulatórios permanecem inadequados para as pequenas empresas. "Não cuidamos do ambiente para estimular o desenvolvimento de novos negócios", afirma.

Uma das maiores barreiras é cultural, aponta Dolabela. Isso porque, apesar de possuir um perfil empreendedor, o brasileiro valoriza a estabilidade financeira, alcançada pelo trabalho assalariado. Para o consultor, sinal disso é que os jovens procuram, cada vez mais, entrar no serviço público, garantindo uma aposentadoria precoce.

Diante disso, o chamado empreendedorismo por vocação acaba reduzido e a busca pelo negócio próprio fica em segundo plano. "No Brasil, o índice de empreendedor por necessidade é um dos maiores do mundo", lembra Dolabela.

Plano de negócios

Essa característica do pequeno empresário brasileiro pode lhe custar a existência. A falta de planejamento para abrir um negócio é muitas vezes fatal. O economista e diretor da Sundfeld e Associados, João Baptista Sundfeld, lembra uma obviedade, mas que é com frequência esquecida pelos empreendedores: é muito provável que o novo negócio tenha como concorrentes produtos altamente competitivos, como os vindos da China e da Índia.

Para encarar a concorrência, os analistas repetem a necessidade de se fazer um plano de negócios. Com ele, o empreendedor definirá a identidade de sua nova empresa, as características do mercado em que ela irá atuar e as maneiras de aumentar a sua competitividade. (Confira a ferramenta do Economia & Negócios para simular a viabilidade financeira de um empreendimento.)

Dentro da formalidade

Os consultores reforçam que, para um negócio prosperar, é preciso que ele esteja desde o seu início dentro das regras do jogo, ou seja, dentro da formalidade. Segundo um levantamento do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco), o valor médio a ser pago na abertura de uma empresa é de R$ 2.038. Em São Paulo, esse preço é um pouco mais baixo: R$ 1.711. Nessa conta estão incluídos os honorários do advogado e o alvará do corpo de bombeiros, que, juntos, pesam cerca de 60% do valor total.

Apesar de ser possível abrir uma empresa sem a ajuda de um profissional, o consultor tributário do Cenofisco, Jorge Lobão, aconselha que o empreendedor procure um contador ou advogado tributário de confiança. Ele lembra que cada atividade pode encarecer ou baratear a abertura da empresa, assim como varia a tributação para cada tipo de negócio.

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