Lionel Bonaventure / AFP
Lionel Bonaventure / AFP

Com poucas encomendas, Airbus deixará de produzir o gigante A380

Êxito industrial, modelo gigante da Airbus falhou no mercado e terá produção encerrada em dois anos

The New York Times

15 de fevereiro de 2019 | 04h00

A Airbus vai encerrar a produção de seu avião de passageiros “gigante”, o A380, uma maravilha da engenharia que se mostrou incapaz de se moldar às demandas dos passageiros. O anúncio foi feito pela fabricante europeia na manhã de quinta-feira, 14.

Citando o corte de encomendas da gigante Emirates, um dos principais consumidores do modelo, e sua inabilidade de encontrar novos compradores, a companhia anunciou que vai interromper as entregas da aeronave “jumbo” em 2021. A companhia salientou, no entanto, que continuará a fornecer manutenção às unidades existentes.

“Como resultado dessa decisão, não teremos entregas futuras relevantes do A380 para sustentar a produção, apesar de todos os nossos esforços de venda para outras companhias aéreas nos últimos anos”, disse a empresa, em comunicado. “O anúncio é doloroso para nós e também para toda a comunidade do A380 no mundo.”

Empregos

A decisão vai resultar em cortes de empregos na Airbus, afetando potencialmente cerca de 3,5 mil dos seus 134 mil funcionários ao longo dos próximos três anos. A Airbus disse que começará as discussões sobre a situação de sua força de trabalho nas próximas semanas.

O anúncio sobre o A380 tirou o brilho dos resultados da companhia, também revelados ontem: o lucro líquido da fabricante de aeronaves teve expansão de 29% em 2018, para US$ 3,5 bilhões.

A Airbus gastou cerca de US$ 25 bilhões no desenvolvimento do avião de dois andares e quatro turbinas, que comporta mais de 500 passageiros e oferece facilidades como chuveiros e um bar. Ele começou a ser construído em um momento em que se projetava que aeroportos cada vez mais lotados exigiriam aviões maiores para diminuir o “congestionamento” de pessoas nos terminais.

A Emirates, baseada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sempre foi a maior cliente do A380 – com mais de cem unidades do modelo em sua frota. Mas a aérea também reduziu seus pedidos recentemente, com apenas mais 14 aeronaves do tipo previstas para os próximos dois anos.

O destino no superjumbo estava em questão há pelo menos um ano. O presidente da Airbus, Tom Enders, reconheceu em janeiro de 2018 que a companhia não poderia continuar a produzir o avião sem as encomendas da Emirates.

A Airbus recebeu um “bote de salvação” para o projeto ao receber uma ordem de compra de US$ 16 bilhões da Emirates alguns dias depois da declaração de Enders. No entanto, a companhia reconheceu no mês passado não ter certeza se o acordo se tornaria realidade. O projeto A380 sofreu mais um golpe na semana passada, após a companhia australiana Qantas cortar um pedido feito em 2006 em oito aeronaves.

Modelos menores

Apesar de estar revendo sua posição em relação ao A380, a Emirates não deverá, no entanto, abandonar os modelos da Airbus. A fabricante disse ontem que a aérea de Dubai vai migrar seus pedidos para dois aviões menores: o A330-900 e o A350-900.

A Airbus também insistiu que o A380 não vai desaparecer dos terminais de todo o mundo em um futuro próximo. “A companhia continuará a prestar manutenção a todas as empresas que operam o modelo”, disse a fabricante, em comunicado.

A companhia ressaltou que a decisão de reduzir a produção do A380 foi refletida em seu balanço de 2018. O custo da redução de pedidos da Emirates custou mais de US$ 500 milhões à companhia.

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