União Europeia precisará de plano não apenas para Grécia, diz NY Mellon

Para diretor do banco, líderes europeus terão de anunciar de uma só vez planos para evitar default da Grécia e de outros países do bloco

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 15h34

A União Europeia (UE) precisará de um plano de ajuda na arena fiscal que não se limite apenas à Grécia. Será necessário fornecer garantia formal de que o grupo de países da UE não permitirá que um de seus membros caia em default da dívida nesta fase. As avaliações foram feitas pelo diretor gerente do Bank of New York Mellon para a divisão de mercados globais e estrategista de moedas, Michael Woolfolk, ao programa AE Broadcast Ao Vivo.

 

Para o analista, os oficiais da União Europeia terão de divulgar de uma única vez o plano de assistência para a Grécia e também as diretrizes que assegurem que outros países na região não ficarão descobertos em caso de necessidade. "O nível de preocupação com déficit fiscal é algo que pode ser apontado para diversos países. Outros, incluindo Espanha e Portugal, têm problemas semelhantes, e, se olharmos de perto, o núcleo da zona do euro - a Alemanha e a França - também não parecem particularmente bem", ponderou.

 

Divulgar um plano que proteja, de forma geral, todos os países da UE seria o mesmo que "interromper uma febre em um período de contágio. E esta é a hora de fazê-lo", argumentou Woolfolk. Ele lembra que mais países do G-7 têm déficit fiscal elevado, como os Estados Unidos e Japão, que têm déficit superior a 10% na fase atual de recuperação da economia, como resposta aos planos de estímulo para a superação da fase aguda da crise financeira mundial.

 

Para ele, esta turbulência na Europa teria sido ignorada, em grande medida, se tivesse ocorrido há alguns meses, com foi com o caso de Dubai, ao fim de 2009. Mas, com a preocupação fiscal se arrastando na Europa, as vendas de ativos se tornaram especulativas e "criaram vida própria", disse o economista.

 

Woolfolk avalia que a União Europeia, em particular a Alemanha, perdeu a oportunidade de fornecer uma proteção contra qualquer potencial default na Grécia na fase inicial de preocupação com o país, que já possuía um problema fiscal crônico, com dificuldade para manter um orçamento equilibrado. "O governo grego já havia anunciado que o déficit orçamentário seria maior do que o esperado", cita ele.

 

Na fase atual de estabilização da economia global no pós crise financeira, o capítulo das dívidas soberanas ainda vai ficar em aberto por algum tempo, acredita o estrategista. "Anos irão passar até que o nível da dívida dos governos da Grécia, Espanha e Portugal volte para níveis sustentáveis", avisa ele.

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