JF Diorio/Estadão
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Unigel aposta em energia renovável para exportar produto químico 'limpo'

Boa parte dos investimentos da empresa visam a adequação ao mercado europeu, onde a transição para uma economia de baixo carbono está acelerada, mas meta é também se adequar ao futuro do mercado brasileiro

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2021 | 05h00

RIO - Um dos maiores grupos petroquímicos do País, a Unigel, está apostando em recursos naturais renováveis abundantes no Brasil, como energia eólica e solar, além da reciclagem para fabricar produtos químicos 'limpos'. O foco de boa parte dos investimentos é o atendimento do mercado europeu, onde a transição para uma economia de baixo carbono está mais acelerada. À medida que a descarbonização ganhar peso no mercado interno, o Brasil entrará na rota de consumo dessa nova linha de produtos da empresa.

"A preocupação com a descarbonização já existia na Unigel e tem se acelerado ultimamente. Acompanhamos o que os clientes estão pedindo. Acredito que a empresa que não investir para reduzir a pegada de carbono e as suas emissões vai morrer", afirma o presidente da petroquímica, Roberto Noronha.

A estratégia do grupo é aproveitar a particularidade da matriz energética brasileira e a existência de insumos menos poluentes tipicamente nacionais para atender a demanda externa. Com isso, a Unigel quer se antecipar à extinção definitiva dos combustíveis fósseis e participar, desde já, da transição, saindo na frente dos concorrentes. Um exemplo de produtos nessa linha é a amônia verde, substituta do óleo bunker de origem fóssil, utilizado em navios.

Por determinação legal, os armadores de navios estão sendo obrigados a migrar seu consumo para combustíveis menos poluentes. Essa exigência tem ajudado, desde o ano passado, o Brasil a ultrapassar esse período de pandemia, já que o bunker produzido pela Petrobras a partir do petróleo do pré-sal possui baixo teor de enxofre. Essa vantagem, no entanto, tem prazo para acabar, pois, com o surgimento de soluções mais limpas, o petróleo tende a ser definitivamente rejeitado.

A Unigel vai construir uma fábrica de amônia verde no município de Camaçari, na Bahia. O projeto, em fase de engenharia, tem início de operação previsto para o fim de 2022 ou, no mais tardar, no primeiro trimestre de 2023. Junto à fábrica está sendo instalada uma infraestrutura logística, de dutos e terminais, já com foco na exportação. "Temos muitas consultas de empresas europeias interessadas", antecipou o presidente da Unigel, acrescentando que, a amônia verde "tem um preço diferente que viabiliza o projeto". Ele não informou, porém, o valor do investimento.

A amônia com a qual o mercado está familiarizado é usada na produção de ureia, voltada para o agronegócio. A sua versão mais limpa tem outra função, a de combustível. Ela aparece como mais uma opção para eliminar os fósseis da matriz energética mundial. Neste caso, a amônia atua como um elemento de transporte do hidrogênio, produzido a partir do processamento das energias solar ou eólica. Uma carga de energia renovável está sendo contratada no Nordeste para isso.

Outro projeto inserido na estratégia da Unigel de se voltar à economia de baixo carbono é a instalação de uma fábrica para produzir vapor a partir de ácido sulfúrico, em 2023, no lugar do óleo combustível e do gás natural. No segmento de reciclagem, novos produtos e unidades fabris são projetados para o Brasil. No México, a empresa já opera uma planta de reciclagem química, na qual utiliza resinas para gerar chapa acrílica 100% reciclada.

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