Usiminas acelera expansão com nova usina de US$5,7 bi

Fabricar um carro sem deixar o outroparar. Este é o plano da Usiminas em seu aguardado projeto deaceleração de crescimento que consumirá 14,1 bilhões dólares eminvestimentos até 2012 e que inclui a construção de uma usinade placas, a terceira unidade de produção de aço da companhiano país. A nova usina, que substitui o plano anterior da Usiminas deampliar em 3,2 milhões de toneladas anuais a capacidade deprodução de sua tradicional unidade de Ipatinga, em MinasGerais, terá capacidade total de 5 milhões de toneladas por anoaté 2012 e exigirá investimento de 5,7 bilhões de dólares. Os demais recursos previstos no plano estão sendo aplicadospela siderúrgica no aumento de capacidade de produção delaminados à quente, chapas grossas e galvanizados, além degastos em mineração e logística. O anúncio da Usiminas foi feito em um momento em que acompanhia está sendo obrigada a comprar placas de terceirospara atender à crescente demanda do mercado brasileiro em áreascomo indústria automotiva e construção naval. A unidade será construída na cidade mineira de Santana doParaíso, a uma distância de apenas 7 quilômetros dasinstalações da Usiminas em Ipatinga. "Estamos falando de um programa de investimento de 14bilhões de dólares sem perder produção. Isso é um desafio, écomo construir um novo veículo sem deixar parar o que já estáandando", afirmou a jornalistas o recém-empossado presidente daUsiminas, Marco Antonio Castello Branco. "Queremos tercapacidade adicional o mais cedo possível." A nova usina aumentará a capacidade da maior produtora deaços planos da América Latina em 52 por cento, para 14,5milhões de toneladas. A unidade será instalada em um terrenoocupado atualmente por um aeroporto da Usiminas, aproveitandoinfra-estrutura logística local. As obras começam no primeirosemestre de 2009 e o início da operação está marcado para osprimeiros seis meses de 2011, quando a unidade deve produzirinicialmente 2,5 milhões de toneladas de aço. Segundo Castello Branco, a usina de Santana do Paraíso terá40 por cento de sua produção destinada às unidades de Ipatingae de Cubatão, em São Paulo, com o restante sendo exportado etambém usado em estratégia de internacionalização da Usiminasque foca em aços nobres no exterior. O minério a ser usado virádas minas da Vale na cidade mineira de Itabira e também daprópria J.Mendes, mineradora comprada em fevereiro pelasiderúrgica. O projeto da usina envolve também a construção de umatermelétrica de 250 megawatts e que terá investimentos de quase400 milhões de dólares. A central elétrica dará autonomiaenergética tanto para a unidade de Santana do Paraíso quantopara a de Ipatinga, disse Castello Branco. Além disso, um novo aeroporto será construído pelaUsiminas, em local ainda a ser escolhido, com pista de 2,6quilômetros para cargas e terminal com capacidade para 360 milpassageiros por ano. Apesar do mercado vir cobrando há algum tempo um aumento dacapacidade produtiva da Usiminas, as ações da companhiaregistravam o pior desempenho do Ibovespa, recuando 4 por centoàs 13h34. No mesmo horário, o índice da bolsa paulista caía 0,8por cento. FINANCIAMENTO GARANTIDO Metade dos 14,1 bilhões de dólares a serem investidos pelaUsiminas até 2012 virá de recursos próprios da empresa e orestante será financiado, explicou o diretor financeiro daempresa, Paulo Penido. Dos cerca de 7 bilhões a serem financiados, um terço seráprovido pelo mercado de dívida, um terço via bancos de fomentoe o restante por bancos oficiais. A empresa já vinha captando recursos desde o início do ano,com lançamento de euro bonds de 400 milhões de dólares,debêntures de 500 milhões de reais e cerca de 600 milhões dedólares financiados por um grupo de 23 bancos, disse Penido. "Estamos negociando ainda 550 milhões de dólares com JBIC(bando de fomento japonês) e 400 milhões de dólares junto aoBid (banco Interamericano de Desenvolvimento)", acrescentou oexecutivo. "Com isso, podemos manter grau de investimento semnenhum problema", disse. (Edição de Renato Andrade)

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

08 de julho de 2008 | 15h00

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